terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sentimentos de uma noite de verão

Na noite escura ela olha para a lua. Cheia. Em oposição à seu coração vazio.

Não sabe mais o que sente ou de onde vem a sensação de aperto que teima em manter-se constante em seu peito.

A cabeça, em compensação, está repleta de pensamentos confusos... Ela já não sabe mais quem é, ou o que é o amor...

A criança romântica que sonhava com principes encantados já não existe mais.

A paixão arrebatadora da adolescência já passou, deixando algumas mágoas, um coração partido e muita coisa mal resolvida.

O coração cicatrizou, e já até se partiu de novo... mas nunca foi o mesmo.

Ela está mais "pé no chão", mais objetiva... mais cínica até... Mas já não sabe com o que sonhar.

Algo mudou, mas ela não sabe mais se foi dentro ou fora dela.

Então ela só fica lá, parada, olhando a lua naquela agradável noite de verão. Uma lua que não desperta sonhos nem saudades, tristezas nem alegrias.

Uma lua cheia, bonita, mas que não traz a paz, e sim um sentimento diferente; algo que não dá pra colocar em palavras.

Só mais uma noite, mais uma lua, mais um sentimento confuso.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

POR UM ESPIRITISMO MENOS CRISTÃO

Bom, vou começar deixando bem claro que sou uma GRANDE fã de Jesus Cristo; de verdade. Admiro profundamente sua postura, seus ensinamentos e busco, dentro dos meus limites e de minha imperfeição, viver de acordo com tudo que ele pregou. Escrevo com a consciência bem tranqüila, por que tenho certeza que caso ele venha a saber de minhas colocações, terá certeza que não foi pessoal.

Venho de uma família que era espírita por parte de pai e católica por parte de mãe. Quando bem pequena ia ao centro espírita, fazia o evangelho no lar, mas aos poucos fomos perdendo esse costume, de forma que passei grande parte de minha vida sem nenhuma religião definida, e sem sentir necessidade de uma.

Recentemente li o livro Deus, um delírio , e recomendo à qualquer pessoa que se importe com a razão e com a ciência que o leia. Não deixei que acreditar em Deus, o autor não me convenceu que os meus motivos para saber de sua existência não são maiores do que os motivos dele para duvidar, mas foi uma leitura muito enriquecedora e que me fez valorizar cada vez mais a fé raciocinada; e desvalorizar cada vez mais as religiões.

Quando voltei a freqüentar o centro espírita, abracei uma doutrina, não uma religião. Foi minha razão, não minha fé que interessou-se pelo assunto, despertou minha curiosidade e me fez buscar aprender cada vez mais sobre o espiritismo. Na época, minha fé nem tinha certeza que Deus existia ou que Jesus havia realmente vivido. Foi minha razão que se encantou com a reencarnação, a relação espíritos e encarnados e todas as conseqüências disso, e como tudo era claro, lógico e tão verdadeiro.

Depois da fé raciocinada é que foi possível para mim, ter certeza da existência de Deus e perceber que pouco importa se Jesus existiu ou não, é a riqueza dos ensinamentos que importa. E agora eu chego ao meu ponto principal: a fé raciocinada, a verdade.

Infelizmente, cada vez mais vejo um espiritismo católico. A doutrina espírita foi transformada na religião espírita. Cheia de dogmas, preconceitos e prepotência. Novas idéias são rejeitadas por não terem sido escritas por Kardec; pessoas falam a frase “ele não é espírita porque seu grau de evolução ainda não permite que ele entenda a verdade e aceite”, como se existisse alguma verdade nisso e os espíritas fossem seres mais evoluídos; no centro que freqüento cada vez mais se fala muito de Jesus e de seus ensinamentos, mas muito pouco de reencarnação e espiritismo; e pessoas são criticadas e vistas como “rebeldes” por buscarem novas idéias, novos conhecimentos e tentarem focar em tudo que temos à aprender sobre a realidade espiritual, e não na idolatria da figura de Jesus Cristo.

O espiritismo não é a religião que todos seguirão conforme forem evoluindo porque a verdade é a verdade, e não uma religião. O espiritismo é apenas o que é. Uma religião feita por homens (encarnados ou não), que cometem erros e acertos, que vêem uma parte limitada da verdade, pois estão ainda em um planeta de provas e expiações e ainda têm muito a evoluir e a aprender. Dogmas, vaidades e preconceitos vão apenas retardar essa evolução.

No meio disso tudo, Jesus Cristo tem sua importância, mas não é essencial. O espiritismo existe sem Jesus; e, repetir o que nos diz a bíblia muito frequentemente não muda comportamentos e não resulta em reforma interior; saber sobre reencarnação e conseqüências dos próprios atos sim, pois gera a responsabilidade nas pessoas.

Defendo um espiritismo doutrinário, e não religioso. Um espiritismo científico, aberto a questionamentos e novas descobertas. Um espiritismo baseado na fé raciocinada e sem dogmas.

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” - João 8 - 32 / "Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão em todas as épocas da humanidade” •. Allan Kardec