quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Mensagem pra mim mesma (e pra quem mais precisar dela)

E se uma situação fizer com que você se sinta insignificante??

Não se engane... ninguém é capaz de fazer com que você se sinta insignificante... ninguém além de você mesmo...

Talvez haja um motivo real para que você se sinta assim, e aí cabe perguntar o que precisa ser mudado... Talvez as frases na sua cabeça tenham a ver com um passado distante, e com coisas nas quais você acreditou que não mais refletem a verdade, e não te servem mais... E apenas você poderá travar a difícil batalha para vencer as crenças limitantes e substituí-las por outras, mais saudáveis...

Afinal, você pode acreditar no que quiser... e se é pra escolher, melhor focar naquilo que te coloca pra cima, que te contrói, que te faz mais forte e feliz... Não é???

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A descoberta de um avô

Meu avô nunca foi um avô fofinho, daqueles que é só carinho, beijos e abraços... Pra falar a verdade, quando pequena, considerava ele meio assustador.

Militar, ele não tinha muito jeito com meninas... Sim, minha mãe era o xodó dele, porém minha mãe nunca foi o protótipo de menina meiga e delicada... Já eu, era totalmente menininha... Acho que ele nunca soube muito bem como lidar com isso, de forma que eu até levava bronca por reclamar e chorar quando meus irmãos me batiam - "age como homem, menina!!", era o que muitas vezes ouvia...

Não entendam mal, ele sempre foi só coração... meus avós, que moram no Rio, passavam o ano comendo do mais simples, pra podermos ter, nas duas vezes do ano que íamos para sua casa, tudo que o tínhamos na nossa.

Meu avô, nos levava e buscava em todos os lugares, e juntava durante todo o ano o dinheiro que nos dava de presente de Natal... Mas não sabia lidar com sentimentos, então havia poucos abraços e beijos, não havia parabéns por telefone no aniversário, e qualquer ligação para a casa dos meus avós implicava que, após o "Alô" e as devidas identificações, a frase seguinte fosse sempre "vou chamar sua avó"...

Eu era delicada demais, e ele não sabia lidar com isso...Ele era fechado demais para demonstrações de afeto, e eu não sabia lidar com isso...

O resultado disso foi que, durante muito tempo, meu relacionamento com meu avô envolvia poucas palavras. E o avô que conhecia era distante e de poucos sorrisos...

Aí veio a Kika. Kika era uma cadela vira-lata que ganhei aos 13 anos, e que, alguns anos depois, dei para os meus avós. Ela era apaixonada por ele. Com ela, ele era só sorrisos e carinhos... E de repente havia um link entre nós dois... Os silêncios foram preenchidos pelas conversas sobre ela, o que ela fazia, como ela estava e as coisas que aprontava... Por causa dela, pudemos achar uma ponte entre nós dois, e abrirmos as portas para um relacionamento um pouco mais próximo.

Nos últimos anos meu avô já não era forte e assustador... A idade deixou ele frágil, e o tempo, muito mais suave... Ainda não sabia lidar bem com as manifestações de afeto; abraços  e demonstrações de carinho o deixavam sem graça, mas os sorrisos eram frequentes... Talvez sempre houvessem sido e eu que não percibia.
À cada despedida, as lágrimas em seus olhos nos diziam o quanto éramos amados, a falta e saudades que a distância deixava em seu coração...

A Kika já não era nosso único assunto... trabalho e estudos entraram na lista, e até uma longa conversa, no início deste ano, sobre como ele conheceu minha avó e as peripércias da minha mãe quando pequena...

Neste ano, no dia dos avós, ele já estava no hospital. Pedi que minha mãe me ligasse quando ele estivesse acordado (ele passava longos períodos dormindo), e quando consegui falar com ele, foi muito rapidamente... disse a coisa mais importante que poderia dizer "Vô, eu te amo".

Estas foram as minhas últimas palavras para o meu avô ainda consciente.

Poucos dias depois ele foi transferido para a UTI e passava o tempo todo sedado. Quando estive em Rio das Ostras, falava com um avô muito frágil, inconsciente e preso à muitas máquinas em um quarto de hospital. Algum tempo depois ele morreu.

Meu avô foi um grande homem, com um grande coração... A família, os filhos, os irmãos, os netos estiveram sempre em primeiro lugar... A Kika me possibilitou ver esse coração e me aproximar dele. Sei que onde quer que ele esteja, ele está sendo assistido, e gosto de pensar que, naquele momento de ir em direção à luz, entre outras pessoas que ele amava, estava ela, abanado o rabo e dando pulos de alegria ao rever seu dono tão amado... (e os espíritas não me venham explicar nada sobre animais e espiritismo, gosto dessa imagem e pretendo mantê-la!)

Vô, sinto sua falta!!