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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sobre Deus



Tenho pensado muito sobre Deus. Não que eu acredite que pensar sobre Deus vai me levar a entender Deus, muito pelo contrário, quanto mais penso mais confusa fico e percebo que frequentemente minha visão de Deus não coincide com minhas atitudes frente a Deus.

"Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas" (Livro dos Espíritos). Gosto dessa resposta, mas vamos combinar que ela diz muito mas explica pouco. Acredito numa causa primária de todas as coisas, acredito que a vida de todos corre em direção à um propósito maior e que estamos na Terra num ciclo de várias vidas em direção a uma evolução. Pra que? Vamos evoluindo em busca da perfeição com qual propósito? Já me perguntei isso vezes o suficiente pra desistir e achar uma resposta, pelo menos por enquanto... volto à esta pergunta daqui à algumas encarnações.

Até que ponto, porém, acredito que Deus, como causa primária de todas as coisas, interfere no que vivemos hoje? Acredito que as coisas já funcionam perfeitamente. Não consigo acreditar num Deus que interfere, que tem preocupações individuais, que ouve nossas preces e as atende. Falando de um modo bem direto, acredito num Deus que Deus tá pouco ligando pro que fazemos ou deixamos de fazer. Nossos acertos não o deixa feliz, assim como nossos erros não o decepcionam, até porque Deus tem que ser onisciente, e portanto já sabe que vamos errar. Deus não vai perdoar ou deixar de perdoar nada, porque na minha noção de Deus não existe a culpa.

Acredito num Deus que é a inteligência suprema, e é sim a causa primária de todas as coisas. Acredito num Deus de amor sim, aliás, a capacidade de sentirmos amor é por si só o meu maior motivo pra acreditar que existe um Deus. É o amor essa perfeição para a qual vamos evoluir, porque qualquer característica boa, qualquer virtude, pode ser explicada por este sentimento. Todas as nossas qualidades são manifestações do amor que sentimos pelos outros, pela vida e por nós mesmos.

Não acredito porém neste Deus paternalista, que protege e apoia seus filhos. Acredito num Deus imparcial, que criou um mundo com leis perfeitas, às quais estamos todos submetidos; ou uma única lei perfeita, a lei de causa e efeito, que funciona pra tudo que é material e imaterial, que abrange matéria e espírito. Dentro disso não há bem e mal, certo e errado, pois todas as atitudes nos trarão exatamente o resultado que precisamos para crescer, pra evoluir. Temos o livre arbítrio de escolher se vamos optar pelas atitudes que nos trarão ensinamentos da forma mais fácil ou mais difícil, temos a opção de aprender o que temos que aprender, ou ignorar as lições e, por consequencia, mantermos ações que nos trarão as mesmas respostas não desejadas. As leis estão ai, e se cumprem.

Isso não significa que não acredito que podemos ser ajudados em alguns momentos; só não acredito que essa ajuda vem de Deus, mas sim de uma legião de espíritos desencarnados que fazem parte de uma rede de relacionamentos interdependentes, e que por isso vão aprendendo, como nós vamos aprendendo enquanto seres encarnados, que se queremos mudar a qualidade da realidade em que vivemos, temos que nos ajudar mutuamente; que a minha vida e o meu mundo serem melhores, depende da vida e do mundo dos meus vizinhos serem melhores tb. Só caminhamos enquanto grupo, e portanto esses espíritos desencarnados nos ajudam, nós os ajudamos, e vamos todos fazendo a nossa parte para criar uma realidade melhor.

Acreditar nisso significa que alguns dos meus hábitos arraigados devem ser mudados:

Se não acredito que Deus tem preocupações com indivíduos, não adianta rezar e pedir nada à Deus, ou falar Deus vai ajudar, e até mesmo o pai nosso, que eu rezo toda noite perde uma boa parte do seu sentido; melhor falar com quem está mais próximo mesmo, com os mentores, anjos da guarda e toda a espiritualidade que está ao nosso redor, buscando fazer o melhor para que o mundo evolua.

Já tive dúvidas quanto à existência de Deus, mas essa visão que tenho hj de Deus me permite ter uma fé inabalável, não porque Deus vai ajudar, mas pq estou submetida à uma lei perfeita que faz com que minhas atitudes tenham a exata consequencia necessária pra eu aprender o que tenho que aprender, pq me faz saber que se eu errar, não preciso pedir perdão à ninguém, apenas tentar acertar da próxima vez, pois meu erro garantirá que terei futuramente outra chance de acertar. Sem punições ou recompensas a vida fica muito mais leve e fácil de ser vivida.

Aí vc me pergunta: Ok, mas então Deus fica o tempo todo fazendo o quê, nada?
Ah, sei lá, mas ele deve ter coisas muito mais interessantes pra fazer do que ficar cuidando das nossas vidas, não deve?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

POR UM ESPIRITISMO MENOS CRISTÃO

Bom, vou começar deixando bem claro que sou uma GRANDE fã de Jesus Cristo; de verdade. Admiro profundamente sua postura, seus ensinamentos e busco, dentro dos meus limites e de minha imperfeição, viver de acordo com tudo que ele pregou. Escrevo com a consciência bem tranqüila, por que tenho certeza que caso ele venha a saber de minhas colocações, terá certeza que não foi pessoal.

Venho de uma família que era espírita por parte de pai e católica por parte de mãe. Quando bem pequena ia ao centro espírita, fazia o evangelho no lar, mas aos poucos fomos perdendo esse costume, de forma que passei grande parte de minha vida sem nenhuma religião definida, e sem sentir necessidade de uma.

Recentemente li o livro Deus, um delírio , e recomendo à qualquer pessoa que se importe com a razão e com a ciência que o leia. Não deixei que acreditar em Deus, o autor não me convenceu que os meus motivos para saber de sua existência não são maiores do que os motivos dele para duvidar, mas foi uma leitura muito enriquecedora e que me fez valorizar cada vez mais a fé raciocinada; e desvalorizar cada vez mais as religiões.

Quando voltei a freqüentar o centro espírita, abracei uma doutrina, não uma religião. Foi minha razão, não minha fé que interessou-se pelo assunto, despertou minha curiosidade e me fez buscar aprender cada vez mais sobre o espiritismo. Na época, minha fé nem tinha certeza que Deus existia ou que Jesus havia realmente vivido. Foi minha razão que se encantou com a reencarnação, a relação espíritos e encarnados e todas as conseqüências disso, e como tudo era claro, lógico e tão verdadeiro.

Depois da fé raciocinada é que foi possível para mim, ter certeza da existência de Deus e perceber que pouco importa se Jesus existiu ou não, é a riqueza dos ensinamentos que importa. E agora eu chego ao meu ponto principal: a fé raciocinada, a verdade.

Infelizmente, cada vez mais vejo um espiritismo católico. A doutrina espírita foi transformada na religião espírita. Cheia de dogmas, preconceitos e prepotência. Novas idéias são rejeitadas por não terem sido escritas por Kardec; pessoas falam a frase “ele não é espírita porque seu grau de evolução ainda não permite que ele entenda a verdade e aceite”, como se existisse alguma verdade nisso e os espíritas fossem seres mais evoluídos; no centro que freqüento cada vez mais se fala muito de Jesus e de seus ensinamentos, mas muito pouco de reencarnação e espiritismo; e pessoas são criticadas e vistas como “rebeldes” por buscarem novas idéias, novos conhecimentos e tentarem focar em tudo que temos à aprender sobre a realidade espiritual, e não na idolatria da figura de Jesus Cristo.

O espiritismo não é a religião que todos seguirão conforme forem evoluindo porque a verdade é a verdade, e não uma religião. O espiritismo é apenas o que é. Uma religião feita por homens (encarnados ou não), que cometem erros e acertos, que vêem uma parte limitada da verdade, pois estão ainda em um planeta de provas e expiações e ainda têm muito a evoluir e a aprender. Dogmas, vaidades e preconceitos vão apenas retardar essa evolução.

No meio disso tudo, Jesus Cristo tem sua importância, mas não é essencial. O espiritismo existe sem Jesus; e, repetir o que nos diz a bíblia muito frequentemente não muda comportamentos e não resulta em reforma interior; saber sobre reencarnação e conseqüências dos próprios atos sim, pois gera a responsabilidade nas pessoas.

Defendo um espiritismo doutrinário, e não religioso. Um espiritismo científico, aberto a questionamentos e novas descobertas. Um espiritismo baseado na fé raciocinada e sem dogmas.

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” - João 8 - 32 / "Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão em todas as épocas da humanidade” •. Allan Kardec

Tempestade

No som do ventilador O silêncio de um vazio preenchido apenas com o vento  O resquício de um sentimento que nunca deixou de estar lá  Seu co...