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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mas tenho medo II - A missão (rs)



"E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro." - Martha Medeiros


"…Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo." - Martha Medeiros

Começo esse novo post com o mesmo início do primeiro, pois as pessoas mudam, as situações mudam, mas aparentemente o medo continua o mesmo...

Não, o medo não é de amar... Poucas vezes o medo é de amar... 

O medo é de sofrer, e dessa sensação desesperadora de queda que a decepção amorosa nos traz. Claro, a gente aprende que sobrevive a isso, que o mundo não acaba, que um dia a tempestade passa, o mundo cinzento volta a ganhar cores e a tornar-se divertido novamente... mas até lá...

Talvez o medo seja o de reforçar velhas e gastas crenças sobre o que é o amor na minha vida e as várias maneiras como ele se manifesta... Crenças nada positivas, talvez já trabalhadas... mas velhas feridas são mais facilmente abertas do que novas...

É, a verdade é bem essa: o medo é dos monstros que se escondem no armário e embaixo da cama. Aqueles mesmos monstros que ontem a noite nos foi provado que não existem, quando alguém foi ao quarto nos ajudar a dormir... Mas quem disse que é fácil convencer-se de que eles não estão lá esta noite...

Mas a gente tem que aprender a enfrentar o medo, como quando crianças, chega o momento que somos nós mesmos que temos que olhar embaixo da cama procurando os monstros imaginários... :)

domingo, 1 de setembro de 2013

Essa é pra você...



Estava pensando nisso tudo que eu sinto...

Poderia te dizer que te adoro porque somos tão iguais... Porque gostamos do mesmo tipo de música, porque ambos somos friorentos, mas ainda assim amamos frio... porque gostamos de dias nublados... porque amamos assistir filmes e seriados... porque nós dois gostamos de lagos e casas em meio a natureza...

Poderia dizer que te curto porque seu papo combina com o meu, e o tempo passa voando enquanto falamos de bobagens e de coisas superficiais, ou você me explica sobre física quântica, multiversos, ou tenta me explicar como a estatística te ajudou a tomar decisões emocionais...

Poderia dizer que vejo meu futuro ao seu lado porque ambos valorizamos coisas parecidas e isso cria uma boa base para se construir planos e sonhos conjuntos.

Mas se te dissesse tudo isso estaria mentindo... Porque essa é apenas parte da verdade...

Porque também somos tão diferentes... água e ar... quente e frio... emoção e razão

E não gosto dos seus silêncios e o fato de que às vezes é tão difícil te ler... Mas com eles tenho aprendido a segurar a ansiedade e respeitar o espaço e tempo dos outros (leia com cuidado - tenho aprendido - significa que a lição ainda está em andamento... rs)

E não não sei lidar com a maneira leve como você encara as coisas que pra mim são profundas e intensas... Mas descobri que leveza é algo que quero ter mais em minha vida

E tenho medo de um passado que, a mim, parece tumultuado e instável... "desequilibrado", na palavra que um dia lhe falei... Mas que é responsável por te trazer até mim dessa maneira como você é, e que por isso deve ser honrado

E as duas listas, das semelhanças e das diferenças, seguem longas... E se nem sempre gosto das diferenças, não tenho dúvidas do quanto elas já me fizeram e ainda podem me fazer crescer, me tornar uma pessoa melhor...  Se nem sempre sei como lidar com o oposto, tenho a certeza de que não sei lidar com a mesmice, com o que não me desafia, com o que não me acrescenta...

No final, a maior declaração de amor pra mim sempre foi "você me faz uma pessoa melhor", e isso, ah, isso você faz... às vezes de um modo tranquilo e pacífico, outras por mexer com aquilo que é mais difícil em mim... com minhas maiores dores, meus mais assustadores medos... Tornar-se alguém melhor nem sempre é fácil mesmo...

E por isso tudo talvez seja amor... E o amor é o suficiente pra fazer dar certo? Pra garantir que vai durar? Infelizmente nenhum de nós é tão ingênuo a ponto de acreditar que amar basta... Amar é o começo... É um bom começo... Mas ainda assim, apenas o começo... Todo o resto está em nossas mãos.

Mas valer a pena? Ah... valer a pena, por tudo que já aprendi sobre mim convivendo com você, já valeu, e muito... O resto é uma aventura... É pular do precipício na fé de que juntos criaremos asas e poderemos voar... bem alto, onde a vista é mais bonita.







quinta-feira, 16 de maio de 2013

Closing time...


"Closing time, every new beginning
Comes from some other beginning's end"

Inícios, meios e fins... E sim, fins são, quase que inevitavelmente, tristes... E como já escrevi uma vez, na grande maioria das vezes não são pontos, mas processos...

Mas as nuvens que trazem as tempestades se dissipam eventualmente, e a água que caiu abalando tudo ao redor é utilizada para que a vida renasça e refloresça, talvez mais forte e mais bonita do que antes.

E assim é a vida... O fim traz esse novo início contido nele.

O novo não vem enquanto algumas portas não são fechadas e deixadas para traz, mesmo que a caminhada adiante pareça amedrontadora por trazer com ela todos os fantasmas da incerteza.

A vida caminha para frente, inevitavelmente. Não importa o quanto lutemos para nos mantermos ligados aos nossos velhos apegos, nossas velhas histórias, nossos velhos - ou atuais - medos. Pausar não é uma opção no filme da vida, e, quando tentamos, inevitavelmente saímos perdendo, pois as oportunidades de renovação cruzam nossos caminhos todos os dias, mas vão embora também, quando não as aproveitamos...

Então hoje em celebro o fim. Encerro o processo desse doloroso final que começou há tantos meses atrás, exatamente no mesmo momento que iniciamos nossa história.

Agradeço o aprendizado, os momentos, o sentimento. Perdoo o que precisa ser perdoado e peço perdão por qualquer coisa. E sigo...

Celebrando o fim, e os novos começos.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Da dor, música...

Não toco nada... Não sei fazer música... Mas se a dor quis virar som, eu deixo sair... Pena que pela minha falta de conhecimentos musicais, um grande hit se perde... KKKK



Heart away

You come
With your sweet words and you charm and that great smile
Break my walls and make your way straight inside
You just look at me, you get me
I am yours

Your touch
Make my stomach twists and fill with butterflies
You just kiss me and I’m high up in the sky
I fell the heat, my body burns
And now I'm yours

Yes you come and take my heart away
You just come and take my heart away
Please just take my body, soul and heart away

Hold me close
I am here inside your arms, it fells like home
I just know I found the place where I belong
You are here, I have your love
And I am strong

Now it's late
And you say you have to go, you cannot stay
There's a world, there is a place, a hole to play
Grab your things, kiss me goodbye
Just go away

Yes you came and took my heart away
You just came and took my heart away
You just took my body, soul and heart away

So that's it
Now you're gone
There's no us
No more home
No more peace
No more heat
No more sun

'Cause you came and took my heart away
Please just come and take my heart away
Take my body, soul and my hole heart away
Maybe then I will no longer feel the pain
Yes just come and take this fool's hole heart away
Now it beats too weak to keep it anyway

sexta-feira, 20 de julho de 2012

For Good

A todos os amigos que passaram pela minha vida - os do prédio, do Mutirão, do Compa, da ESPM e da UNIP, os da Seara Bendita, Lar Meimei, os do Rio de Janeiro, osdas empresas pelas quais passei,  os do MASA, os que entraram em minha vida sem eu nem lembrar como e os que Deus fez que, mais que amigos, fossem parte da minha superespecial família...
Minha eterna gratidão por todas as mudanças por que passei por tê-los em minha vida. Espero que possam tirar alguns minutinhos para ver minha (bem) singela homenagem a vocês!

(Não consegui achar o vídeo com uma boa legenda em português, então a letra está abaixo. Infelizmente o jogo de palavras se perde na tradução...)
Eu ouvi dizer
Que as pessoas entram em nossa vida por uma razão
Trazendo algo que devemos aprender
E somos levados
Àqueles que mais nos ajudam a crescer
Se os permitimos
E os ajudarmos também.
Bem, eu não sei se eu acredito que isso é verdade,
Mas eu sei que eu sou quem eu sou hoje
Porque eu te conheci.

Como um cometa puxado de sua órbita
Ao passar pelo sol
Como um riacho que encontra uma rocha
No caminho para a floresta
Quem pode dizer se eu mudei pra melhor?
Mas porque eu te conheci
Eu mudei.. de verdade

Pode até ser
Que não nos encontremos novamente
Nessa vida,
Então deixe-me dizer antes de nos separarmos
Muito de mim
É feito do que eu aprendi com você.
Você estará comigo
Como uma digital em meu coração.
E agora não importa como nossas histórias terminem
Eu sei que você reescreveu a minha
Por ter sido minha amiga
Como um navio desviado de sua rota
Por um vento no mar
Como uma semente deixada por um pássaro
Numa floresta distante
Quem pode dizer se eu mudei pra melhor?
Mas porque eu te conheci
Porque eu te conheci
Eu mudei de verdade

E para esclarescer as coisas
Eu peço perdão
Pelas coisas que eu fiz e pelas quais você me culpa

Mas então, eu acho que nós sabemos
Que há culpa para compartilhar.

E tudo isso parece não importar mais

Como um cometa fora de órbita (Como um navio desviado de sua rota).
Ao passar pelo sol (Por um vento no mar).
Como um riacho que encontra uma rocha (Como uma semente deixada por um pássaro)
No caminho para a floresta (Numa floresta distante)

Quem pode dizer se eu mudei para melhor?
 E eu realmente acredito que mudei para melhor.

Mas porque eu te conheci
Porque eu te conheci

Porque eu te conheci
Eu mudei de verdade.

sábado, 14 de janeiro de 2012

... Mas tenho medo.

"E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro." - Martha Medeiros


"…Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo." - Martha Medeiros



Nossas experiências passadas guiam a maneira como iremos vivenciar nossas experiências presentes.
Às vezes funciona, e é um mecanismo importante para o aprendizado. Às vezes este é um comportamento desadaptativo e burro... Mas como saber?

Sentimos medo porque, ao comparar uma situação com suas similares do passado, algo de nossas experiências nos diz que estamos em risco. Às vezes estamos. Às vezes não... Mas como saber?

Sim, essa situação está cada vez mais parecida com o passado... e as coisas não terminaram nada bem para mim naquela época...

Sim, é amor. Não passarei nenhum segundo tentando negar o óbvio...
Amizade, carinho, cuidado, vontade de estar junto, querer bem, segurança + pensamento constante em você, saudades, desejo, coração que dispara quando o telefone toca e é você = AMOR

O sentimento é lindo, e ficaria muito feliz de apenas vivê-lo, se  a parte paixão de tudo isso não viesse acompanhada de insegurança, ciúmes e, principalmente, medo. Muito medo.

Sim, estou com medo... Você pode me dizer que não há necessidade de sentí-lo?

Razão e coração me mandam seguir caminhos opostos...

E como disse Wood Allen: "É muito difícil fazer sua cabeça e seu coração trabalharem juntos. No meu caso, eles não são nem amigos."




terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Simples assim...


Eu costumava a achar que nós mulheres éramos confusas e mal resolvidas... Tá certo. Muitas vezes somos... em especial confusas... Mas quando foi que as coisas ficaram tão complicadas?

Quando foi que uma pergunta passou a precisar de tanto tempo para ser respondida?? O que aconteceu com o "sim" ou "não"?? "Não sei" também resolve... Por que a necessidade de elaborar, desenvolver e complicar aquilo que é tão simples?

Como foi que ficou tudo tão pesado??

Não quero tratados, porques ou explicações... Não preciso disso... Eles não fazem nenhuma diferença prática...

Não quero complicar sentimentos simples, nem estou em busca de definições ou promessas... Não estou nem aí pra nada do que aconteceu no passado, nem estou preocupada com futuro... Passado e futuro não me servem pra nada...

Estou tentando decidir uma questão simples: qual é a melhor maneira de eu agir agora? Pra definir isso, busquei uma informação importante, cuja a resposta eu não tinha claramente...

Não quero transformar nada em problema, não quero complicar nada, não quero a paranóia do "o que isso significa?"
Não significa nada...

Me cansa a defensiva, quando não há nenhum ataque...

Quero as coisas leves e simples...
Quero DEScomplicar...

A  vida é curta... Não tenho tempo pra não ser feliz...
E pra ser sincera, desaprendi como fazê-lo...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Sobre o amor - Ferreira Gullar


"Houve uma época em que eu pensava que as pessoas deviam ter um gatilho na garganta: quando pronunciasse — eu te amo —, mentindo, o gatilho disparava e elas explodiam. Era uma defesa intolerante contra os levianos e que refletia sem dúvida uma enorme insegurança de seu inventor. Insegurança e inexperiência. Com o passar dos anos a idéia foi abandonada, a vida revelou-me sua complexidade, suas nuanças. Aprendi que não é tão fácil dizer eu te amo sem pelo menos achar que ama e, quando a pessoa mente, a outra percebe, e se não percebe é porque não quer perceber, isto é: quer acreditar na mentira. Claro, tem gente que quer ouvir essa expressão mesmo sabendo que é mentira. O mentiroso, nesses casos, não merece punição alguma.

Por aí já se vê como esse negócio de amor é complicado e de contornos imprecisos. Pode-se dizer, no entanto, que o amor é um sentimento radical — falo do amor-paixão — e é isso que aumenta a complicação. Como pode uma coisa ambígua e duvidosa ganhar a fúria das tempestades? Mas essa é a natureza do amor, comparável à do vento: fluido e arrasador. É como o vento, também às vezes doce, brando, claro, bailando alegre em torno de seu oculto núcleo de fogo.

O amor é, portanto, na sua origem, liberação e aventura. Por definição, anti-burguês. O próprio da vida burguesa não é o amor, é o casamento, que é o amor institucionalizado, disciplinado, integrado na sociedade. O casamento é um contrato: duas pessoas se conhecem, se gostam, se sentem a traídas uma pela outra e decidem viver juntas. Isso poderia ser uma COisa simples, mas não é, pois há que se inserir na ordem social, definir direitos e deveres perante os homens e até perante Deus. Carimbado e abençoado, o novo casal inicia sua vida entre beijos e sorrisos. E risos e risinhos dos maledicentes. Por maior que tenha sido a paixão inicial, o impulso que os levou à pretoria ou ao altar (ou a ambos), a simples assinatura do contrato já muda tudo. Com o casamento o amor sai do marginalismo, da atmosfera romântica que o envolvia, para entrar nos trilhos da institucionalidade. Torna-se grave. Agora é construir um lar, gerar filhos, criá-los, educá-los até que, adultos, abandonem a casa para fazer sua própria vida. Ou seja: se corre tudo bem, corre tudo mal. Mas, não radicalizemos: há exceções — e dessas exceções vive a nossa irrenunciável esperança.

Conheci uma mulher que costumava dizer: não há amor que resista ao tanque de lavar (ou à máquina, mesmo), ao espanador e ao bife com fritas. Ela possivelmente exagerava, mas com razão, porque tinha uns olhos ávidos e brilhantes e um coração ansioso. Ouvia o vento rumorejar nas árvores do parque, à tarde incendiando as nuvens e imaginava quanta vida, quanta aventura estaria se desenrolando naquele momento nos bares, nos cafés, nos bairros distantes. À sua volta certamente não acontecia nada: as pessoas em suas respectivas casas estavam apenas morando, sofrendo uma vida igual à sua. Essa inquietação bovariana prepara o caminho da aventura, que nem sempre acontece. Mas dificilmente deixa de acontecer. Pode não acontecer a aventUra sonhada, o amor louco, o sonho que arrebata e funda o paraíso na terra. Acontece o vulgar adultério - o assim chamado -, que é quase sempre decepcionante, condenado, amargo e que se transforma numa espécie de vingança contra a mediocridade da vida. É como uma droga que se toma para curar a ansiedade e reajustar-se ao status quo. Estou curada, ela então se diz — e volta ao bife com fritas.

Mas às vezes não é assim. Às vezes o sonho vem, baixa das nuvens em fogo e pousa aos teus pés um candelabro cintilante. Dura uma tarde? Uma semana? Um mês? Pode durar um ano, dois até, desde que as dificuldades sejam de proporção suficiente para manter vivo o desafio e não tão duras que acovardem os amantes. Para isso, o fundamental é saber que tudo vai acabar. O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não comporta tanta realidade, como falou um poeta maior. E enxugados os olhos, aberta a janela, lá estão as mesmas nuvens rolando lentas e sem barulho pelo céu deserto de anjos. O alívio se confunde com o vazio, e você agora prefere morrer.

A barra é pesada. Quem conheceu o delírio dificilmente se habitua à antiga banalidade. Foi Gogol, no Inspetor Geral quem captou a decepção desse despertar. O falso inspetor mergulhara na fascinante impostura que lhe possibilitou uma vida de sonho: homenagens, bajulações, dinheiro e até o amor da mulher e da filha do prefeito. Eis senão quando chega o criado, trazendo-lhe o chapéu e o capote ordinário, signos da sua vida real, e lhe diz que está na hora de ir-se pois o verdadeiro inspetor está para chegar. Ele se assusta: mas então está tUdo acabado? Não era verdade o sonho? E assim é: a mais delirante paixão, terminada, deixa esse sabor de impostura na boca, como se a felicidade não pudesse ser verdade. E no entanto o foi, e tanto que é impossível continuar vivendo agora, sem ela, normalmente. Ou, como diz Chico Buarque: sofrendo normalmente.

Evaporado o fantasma, reaparece em sua banal realidade o guarda­roupa, a cômoda, a camisa usada na cadeira, os chinelos. E tUdo impregnado da ausência do sonho, que é agora uma agulha escondida em cada objeto, e te fere, inesperadamente, quando abres a gaveta, o livro. E te fere não porque ali esteja o sonho ainda, mas exatamente porque já não está: esteve. Sais para o trabalho, que é preciso esquecer, afundar no dia-a-dia, na rotina do dia, tolerar o passar das horas, a conversa burra, o cafezinho, as notícias do jornal. Edifícios, ruas, avenidas, lojas, cinema, aeroportos, ônibus, carrocinhas de sorvete: o mundo é um incomensurável amontoado de inutilidades. E de repente o táxi que te leva por uma rua onde a memória do sonho paira como um perfume. Que fazer? Desviar-se dessas ruas, ocultar os objetos ou, pelo contrário, expor-se a tudo, sofrer tudo de uma vez e habituar­se? Mais dia menos dia toda a lembrança se apaga e te surpreendes gargalhando, a vida vibrando outra vez, nova, na garganta, sem culpa nem desculpa. E chegas a pensar: quantas manhãs como esta perdi burramente! O amor é uma doença como outra qualquer.

E é verdade. Uma doença ou pelo menos uma anormalidade. Como pode acontecer que, subitamente, num mundo cheio de pessoas, alguém meta na cabeça que só existe fulano ou fulana, que é impossível viver sem essa pessoa? E reparando bem, tirando o rosto que era lindo, o corpo não era lá essas coisas... Na cama era regular, mas no papo um saco, e mentia, dizia tolices, e pensar que quase morro!...

Isso dizes agora, comendo um bife com fritas diante do espetáculo vesperal dos cúmulos e nimbos. Em paz com a vida. Ou não."

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Borboleta



Existe algo que não sei explicar...
E esse algo me faz achar que pode dar tão certo... mas de repente não é nada além do meu querer... Um querer enorme, que contém nele todo um universo...
Um querer com a intensidade de tudo que toco, e que vira, não pedra, mas fogo...

E talvez, em outros tempos, esse querer fosse o suficiente para eu apostar todas as minhas fichas na remota possibilidade de um dia você me olhar de verdade... ver a mulher que surgiu quando lagarta entrou no casúlo decidida a virar borboleta; e, como na música da Adele, que tanto amo, te desafiasse a me permitir ser a pessoa pra você...

Mas não... não te desafio à nada.
Veja o que quiser, se quiser, e se não quiser não veja...

Há o céu, as flores e um mundo enorme pra que uma borboleta fique parada esperando ser notada...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A descoberta de um avô

Meu avô nunca foi um avô fofinho, daqueles que é só carinho, beijos e abraços... Pra falar a verdade, quando pequena, considerava ele meio assustador.

Militar, ele não tinha muito jeito com meninas... Sim, minha mãe era o xodó dele, porém minha mãe nunca foi o protótipo de menina meiga e delicada... Já eu, era totalmente menininha... Acho que ele nunca soube muito bem como lidar com isso, de forma que eu até levava bronca por reclamar e chorar quando meus irmãos me batiam - "age como homem, menina!!", era o que muitas vezes ouvia...

Não entendam mal, ele sempre foi só coração... meus avós, que moram no Rio, passavam o ano comendo do mais simples, pra podermos ter, nas duas vezes do ano que íamos para sua casa, tudo que o tínhamos na nossa.

Meu avô, nos levava e buscava em todos os lugares, e juntava durante todo o ano o dinheiro que nos dava de presente de Natal... Mas não sabia lidar com sentimentos, então havia poucos abraços e beijos, não havia parabéns por telefone no aniversário, e qualquer ligação para a casa dos meus avós implicava que, após o "Alô" e as devidas identificações, a frase seguinte fosse sempre "vou chamar sua avó"...

Eu era delicada demais, e ele não sabia lidar com isso...Ele era fechado demais para demonstrações de afeto, e eu não sabia lidar com isso...

O resultado disso foi que, durante muito tempo, meu relacionamento com meu avô envolvia poucas palavras. E o avô que conhecia era distante e de poucos sorrisos...

Aí veio a Kika. Kika era uma cadela vira-lata que ganhei aos 13 anos, e que, alguns anos depois, dei para os meus avós. Ela era apaixonada por ele. Com ela, ele era só sorrisos e carinhos... E de repente havia um link entre nós dois... Os silêncios foram preenchidos pelas conversas sobre ela, o que ela fazia, como ela estava e as coisas que aprontava... Por causa dela, pudemos achar uma ponte entre nós dois, e abrirmos as portas para um relacionamento um pouco mais próximo.

Nos últimos anos meu avô já não era forte e assustador... A idade deixou ele frágil, e o tempo, muito mais suave... Ainda não sabia lidar bem com as manifestações de afeto; abraços  e demonstrações de carinho o deixavam sem graça, mas os sorrisos eram frequentes... Talvez sempre houvessem sido e eu que não percibia.
À cada despedida, as lágrimas em seus olhos nos diziam o quanto éramos amados, a falta e saudades que a distância deixava em seu coração...

A Kika já não era nosso único assunto... trabalho e estudos entraram na lista, e até uma longa conversa, no início deste ano, sobre como ele conheceu minha avó e as peripércias da minha mãe quando pequena...

Neste ano, no dia dos avós, ele já estava no hospital. Pedi que minha mãe me ligasse quando ele estivesse acordado (ele passava longos períodos dormindo), e quando consegui falar com ele, foi muito rapidamente... disse a coisa mais importante que poderia dizer "Vô, eu te amo".

Estas foram as minhas últimas palavras para o meu avô ainda consciente.

Poucos dias depois ele foi transferido para a UTI e passava o tempo todo sedado. Quando estive em Rio das Ostras, falava com um avô muito frágil, inconsciente e preso à muitas máquinas em um quarto de hospital. Algum tempo depois ele morreu.

Meu avô foi um grande homem, com um grande coração... A família, os filhos, os irmãos, os netos estiveram sempre em primeiro lugar... A Kika me possibilitou ver esse coração e me aproximar dele. Sei que onde quer que ele esteja, ele está sendo assistido, e gosto de pensar que, naquele momento de ir em direção à luz, entre outras pessoas que ele amava, estava ela, abanado o rabo e dando pulos de alegria ao rever seu dono tão amado... (e os espíritas não me venham explicar nada sobre animais e espiritismo, gosto dessa imagem e pretendo mantê-la!)

Vô, sinto sua falta!!

terça-feira, 19 de abril de 2011

"Se apronta pra recomeçar..."

Não controlamos o amor.
Não podemos decidir que só iremos amar a pessoa certa... não é assim que as coisas funcionam.

O amor é um sentimento que vai sorrateiramente tomando conta do seu coração, e quando menos percebemos já estamos amando... E as vezes o cupido lança as flechas todas trocadas e vc se vê no meio de situações complexas, que passam muito longe do "moça conhece rapaz"e do "felizes para sempre" que nos são vendidos pelos filmes de Hollywood.

A verdade é que mesmo nos filmes e livros, nem sempre as histórias de amor terminam bem... Alguns amores não foram feitos para tornarem-se concretos, e nem por isso essas deixam de ser lindas histórias de amor.

O mais importante do amor não é a possibilidade de futuro, não é a concretização do desejo, mas sim a possibilidade de experimentar um sentimento sublime...

E se a paixão se apega e acaba nos fazendo sofrer (e sim, quando falamos de amor romântico, não temos como desvinculá-lo da paixão), o amor é liberdade, é paz, é desapego...

E a gente sofre tudo que a paixão nos faz sofrer, e não importa, pois sabemos que a paixão é fogo, e apaga... o lado bom e o lado ruim... E a gente sempre sobrevive...

E o amor faz a gente achar que tudo valeu a pena, e seguir em frente, e juntar os pedaços, e se preparar pra começar tudo de novo...

E esse texto pede Roupa Nova...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ferino, Mas Doce!!!: "Quero o amor maior..."

Ferino, Mas Doce!!!: "Quero o amor maior...": "Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, en..."

segunda-feira, 7 de março de 2011

CIEGA SORDOMUDA





Si pudiera exorcizarme de tu voz

Si pudiera escaparme de tu nombre

Si pudiera arrancarme el corazón

Y esconderme para no sentirme nuevamente

Bruta, ciega, sordomuda

Torpe, traste, testaruda

sábado, 29 de janeiro de 2011

Redenção

                  


Caminho entre as ruas desertas dessa cidade que nunca dorme, onde tudo é cinzento

A solidão já se fez minha companheira costante e caminha ao meu lado a cada momento

Me lembrando que tudo passa, e que você também passará.

No escuro, a única coisa que se mantém é o tempo,

As horas se arrastam e algo em meu corpo sente fisicamente a sua falta

Estranho magnetismo que me puxa em sua direção, que faz cada pensamento meu lhe pertencer

Minha razão corre em todas as direções buscando uma saída

Libera flashes do passado, tentando me alertar do futuro que inevitavelmente virá

Buscando desesperadamente sinais que mostrem a verdade

Algum detalhe que me liberte de você

Tudo em vão...

Fico aqui...

Parada...

Presa a um sentimento que não ouso nomear por puro medo de torná-lo real.

Esperando, sem reação, o momento da minha condenação...

Me rendo a você 
 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Soneto da Separação


SONETO DE SEPARAÇÃO

Vinícius de Morais



De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A vida tem dessas coisas

É assim mesmo... A vida ri dos sentimentos... prega peças...
O homem dos seus sonhos existe, você o conheçe e ele é casado...
O trabalho que você gosta paga pouco
As suas convicções são testadas até o limite...

É só a vida...

Sim, eu podia gritar, chorar, mas de que adiantaria??

Melhor viver, as alegrias as tristezas...

... As saudades...

Melhor viver... dar risada e seguir em frente... porque logo tudo acontece de novo...

A vida são altos e baixos, e se o baixo for só isso, está tudo ótimo... porque valeu a pena...

Sentir saudades é resultados de bons momentos...e quem decidiu que sentimentos têm que virar ações? Que todos os desejos devem tornar-se realidade...
Às vezes a melhor emoção é desejar... Permitir que os sonhos preencham os espaços em branco daquela maneira perfeita que apenas eles sabem fazer...
As coisas são melhores nos sonhos, muitas vezes...
Então apenas sonhei. E apenas por um tempo, porque se não vamos torná-lo real, melhor desapegar...

Viver, dar risada, seguir em frente...
O que eu quero, nem sempre eu preciso, e então não há motivos para tristezas

O sol trará novas possibilidades, um novo dia... e o que passou será apenas saudades...

Apenas saudades...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Don't!


Não brinque.



Não faça propostas que você não poderá cumprir, nem de brincadeira.


A energia está aqui...


O interesse está laqui... pulsando dentro do exterior tranquilo, como um vulcão dormente.


Mas a explosão existe mesmo quando não manifesta, e você não quer que ela ocorra, acredite.


Por isso não brinque...


Pois a cada toque, a cada sorriso tudo fica um pouco menos latente e tento evitar seus olhos para que meus pensamentos não se expressem em meu olhar.


Aguente firme, respire fundo.


Logo a distância se encarregará de apagar as chamas, e tudo estará acabado.


Apenas não brinque.

 
 

 
 
Tradução:
 
Na terra da negação
Tentando lutar contra o modo que me sinto
Eu me abalo quando você sorri
Eu começo a corar - minha cabeça se apressa
Se você ficar muito perto de mim
Eu posso derreter com o calor
Se você me olhar mais uma vez
Eu vou perder a cabeça
O que quer que você faça...

Nem mesmo pense nisso!
Não comece, não me provoque!
Nem ouse me enlouquecer!
Não faça isto comigo querido!

Você me tira dos meus objetivos
Meu coração bate ao máximo
Eu sou uma boba quando olhos seus olhos
Eles paralisam permanentemente
O que quer que você faça...

Nem mesmo pense nisso!
Não comece, não me provoque!
Nem ouse me enlouquecer!
Não faça isto comigo querido!

Você colocou meu coração sob ataque
Você causou calafrios na minha nuca
Você tem que andar desta forma que anda?
Eu fico fraca só de olhar para você

Qualquer coisa que você faça...

Nem mesmo pense nisso!
Não comece, não me provoque!
Nem ouse me enlouquecer!
Não faça isto comigo querido!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sobre amor e amizade

"Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante" - Antoine de Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe.

Acredito que o amor é um sentimento eterno. É algo tão forte, tão avassalador que, uma vez que se ame alguém, torna-se impossível desamar. O amor é assim, algo que não se desfaz, um caminho sem volta em direção ao que temos de mais próximo da perfeição. O mais próximo que podemos chegar de Deus. A maior prova disso é que o amor não exige recíproca, não exige nada do ser amado. Para amarmos alguém é preciso apenas amar.

Não estou falando de paixão. Já me apaixonei e desapaixonei várias vezes. Isso nada tem a ver com amor, embora algumas vezes os sentimentos se encontrem em uma única pessoa. Já me apaixonei por pessoas que amava, e por pessoas que nunca amei. E amo muitas pessoas pelas quais nunca fui apaixonada. Não é do amor romântico que vou falar hoje, é do AMOR, assim, com letras maiúsculas.

Mas, e a amizade?? Será que ela tem essa força toda??

O que é um amigo?? O que faz a gente dizer que alguém é nosso amigo? E ressalto aqui que falo de amigos, e não colegas, conhecidos...

Amigo é aquela pessoa que faz parte da nossa vida; aquela pessoa na qual podemos contar sempre. Aqueles com quem dividimos nossas alegrias e tristezas, nossos bons e maus momentos. Aqueles que nos conhecem muitas vezes melhor do que nós mesmos. Aqueles com quem nos preocupamos e que preocupam-se com a gente.

"Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta" - Achei esta definição perfeita.

E aí, dar pedacinho de chão ou pedacinho de céu dá muito mais trabalho do que disponibilizar um espacinho dentro do coração... Amor é sentimento, e não exige nenhum esforço além de amar. Amizade é relacionamento, e relacionamento exige esforço, dedicação, tempo. E este esforço, tem que ser das duas partes.

Sim querido, longe é um lugar que não existe fisicamente; mas existe nos muros que criamos, nas barreiras que se formam e nos laços que se quebram quando deixamos de nos dedicar, compartilhar e estar lá para àqueles que amamos. Quando optamos por não perder tempo para fazê-los ou mantê-los tão importantes em nossas vidas.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Devaneios de uma noite de inverno

O que é necessário para uma pessoa ser feliz??


Quantas vezes reclamamos de tudo ao nosso redor, de nossas vidas e de nossas conquistas, esquecendo o quanto temos à agradecer...



Crescemos num mundo de romances, de grandes emoções e grandes paixões... Buscamos freqüentemente essa grande paixão que preencherá um vazio ainda maior que carregamos dentro de nós mesmos, mas essa grande paixão existe realmente, ou é algo no qual somos levadas a acreditar? Uma utopia criada por cantigas de amor romântico na Idade Média e propagados pelos contos de fadas e, posteriormente pelos filmes de amor que nos dão uma falsas idéia de um “felizes para sempre” que na verdade nunca acontecerá...



Estamos todos fadados a passar nossas vidas buscando sonhos impossíveis?



É o amor um sonho impossível?



Ou, melhorando a pergunta, o que é o amor??



É necessário que o amor seja essa coisa avassaladora, que nos preenche, que nos faz sentirmos que somos completos, que nos eleva?? Isso é o amor??



Ou o amor é uma coisa mais tranqüila, algo mais calmo... Uma paz toma conta de nossos corações e nos faz melhores, e, se é isso, existe a necessidade de que este amor seja um amor romântico... Não seria então, tão reconfortante quanto o relacionamento homem/mulher, a amizade, o amor pela família, o amor pela humanidade? Não foram felizes os homens iluminados que dedicaram-se a amar a humanidade?



Porque somos levados a acreditar que só podemos ser felizes quando estamos acompanhados?Quando estamos em algum relacionamento??



E, mais importante de tudo, será que é esta crença que faz com que a tristeza nos invada às vezes, quando estamos sozinhos, mesmo tendo todos os motivos para estarmos felizes? Estamos deixando convenções pilotarem nossos aviões, determinarem nossos sentimentos?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Caminhos

Demoramos pra aceitar que, na vida, tudo tem começo, meio e fim.






No começo, tinha amor... e porque não dizer que no fim também?? Falar em fim, não significa necessariamente que algo deixou de existir, mas, às vezes, significa apenas que algo não nos serve mais, que não nos faz mais crescer, não nos impulsiona adiante, não nos traz mais felicidade.

Amar, não significa apegar-se. 

Amar pode também significar partir e deixar partir. Permitir que o outro viva seu caminho de forma plena, completa e realizadora. Perceber que caminhos se cruzam com frequência, e, às vezes, até seguem em paralelo, mas são sempre únicos. Duas pessoas, mesmo que sigam a mesma estrada, fazem, cada qual, sua própria e única jornada.

Às vezes alguem caminha conosco por algum tempo, muda nossos caminhos, transforma a nossa história, e então segue em frente. Por que a vida não faz sentido se não for pra seguir em frente... "para o alto e avante", como dizia o desenho animado.

Então amar, ás vezes, significa entender que seu caminho e o da pessoa amada se separam, e aceitar que eles podem se afastar cada vez mais.

Tempestade

No som do ventilador O silêncio de um vazio preenchido apenas com o vento  O resquício de um sentimento que nunca deixou de estar lá  Seu co...