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sábado, 28 de abril de 2012

O além



Hoje, na minha aula do curso de tanatologia, me deparei com um grande desafio em forma de uma pergunta, até bastante simples: Como você imagina o além? Descreva da maneira mais detalhada possível.

Simples, para uma espírita, né? Nem tanto. Só consegui pensar em uma resposta, e me deu vontade de compartilhá-la com vocês, amigos leitores...

"Na verdade, não imagino...

Não que o assunto não me fascine, mas acho a preocupação em imaginar o além tão desnecessária, uma vez que, o que quer que eu imagine, será apenas a minha imaginação.

Cresci espírita, logo, cresci aprendendo sobre umbral, vale dos suicidas e planos superiores, cresci ouvindo falar de Nosso Lar e colônias espirituais... Mas também sobre projeções mentais e faixas de energia que podem fazer com que, no final das contas, você veja exatamente aquilo que você acredita que deveria ver...

As imagens que os livros espíritas relatam a respeito do Umbral, desta forma, sempre me pareceram muito mais reais e possíveis do que as colônias espirituais, do que Nosso Lar e as pessoas de túnicas brancas... Isso porque, as imagens do umbral são sempre nos descritas de forma vívidas e carregadas de sentimentos... O que você lê é aquilo que você facilmente imagina quando pensa nos fortes sentimentos negativos ligados à estas descrições, sejam estes sentimentos desespero, tristeza, medo ou ódio...

Já as descrições das colônias espirituais... Bem, talvez se a gente concordar que são apenas locais onde estão os espíritos como nós, em nosso grau de evolução, aproximadamente, aí elas façam sentido, com todas as suas regras e situações tão parecidas com nossa própria realidade... bom, mas, aí, elas não são "o além", mas apenas um outro local de passagem, como a própria vida terrena, nessa longa caminhada de evolução que temos pela frente. Não é?

O além tem que ser aquele destino final, aquele local onde estaremos quando alcançarmos a perfeição, quando Deus não mais for um mistério e quando tudo o que há a sentir é Amor. Como posso sequer imaginar o que é este lugar (é um lugar? ou será um modo de ser?) quando mesmo o maior amor que posso sentir por algo ou alguém é carregado de cobranças, expectativas e medos??

Não penso no além, pois, para mim, nada do que eu puder pensar irá chegarnem perto de descrevê-lo."

E pra vc? Como é o além??

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

E volto a falar de espiritismo...

Já escrevi aqui sobre espiritismo (http://ovoodafenixx.blogspot.com/2009/01/por-um-espiritismo-menos-cristo.html), hoje volto ao assunto.

Cresci espírita, ou pelo menos próxima disso. Até onde sei, minha bisavó já era espírita (embora não lembre bem onde ouvi isso), e, tendo passado a minha vida inteira em meio à idéias, e, principalmente, à pensadores espíritas, sou adepta de muitas de suas idéias.

Volto porém à palavra PENSADORES. Tenho um orgulho enorme de dizer que cresci em uma família de pensadores. Na mesa da cozinha da minha avó cresci ouvindo meu pai e tias discutirem política, educação, economia, e até espiritismo às vezes (embora este fosse um tema menos polêmico).

Cresci aprendendo a pensar, questionar, gerar novas idéias. Reproduzir, apenas quando fazia sentido, quando minha razão concordava com o que estava ouvindo.

Minha razão concorda com o espiritismo, já com os espíritas, nem tanto.

Parei este ano o curso de Aprendizes do Evangelho da Seara Bendita. Não via sentido em aprender o velho testamento, não acredito nele. Me sentia na aula de catecismo (embora admita que nunca assisti uma aula de catecismo). Sou da opinião que qualquer espírita que acredite na importância de defender a bíblia como fatos históricos (seja novo ou velho testamento), perdeu o foco.

O espiritismo, apesar de cristão, não é católico; e acho as tentativas de ajustar os discursos para atender expectativas de ex-católicos uma falta de bom senso bastante prejudicial. E para isto basta ver caravanas de espíritas indo visitar o túmulo do Chico Xavier e fazer pedidos. Daqui a pouco vão mandar pedido de canonização para o Papa.

Porque falo tudo isso?

Apesar de ter parado o curso, uma segunda parte dele é voltada para a reforma íntima, para o auto-aperfeiçoamento, e ontem, resolvi pegar o livro desta parte do curso e retomar a leitura.

Voltei à parte dos vícios, onde havia parado, e olhe as pérolas que encontrei:

"em geral, a tendencia para beber vem de uma perturbação da afetividade que pode ser gerada na infância. Os problemas infantis, gerados nos desequilíbrios familiares, pela falta de carinho dos pais ou por outros conflitos, são comumenteas raízes deste estado intimo propício ao alcoolismo"

"A gula também é uma manisfestação de egoísmo. A porção alimentar que poderia sustentar mais uma ou duas pessoas é totalmente digerida por apenas uma, com visível prejuízo para a coletividade" (eu entendi bem? Ele está culpando os gulosos pela fome mundial?) (...) "Teoricamente a energia alimentar contida em uma amêndoa seria suficiente para nos nutrir o dia inteiro" (e os aneréxicos vibram!! - cadê os fatos médicos que comprovam essa teoria maluca??)

Sobre sexo: "Dirigimo-nos em particilar aos jovens que, na fase de sua formação física e moral, possam estar disperdiçando as suas energias procriadoras, tão importantes no fortalecimentodo sistema cerebral e de todos os seus orgão do corpo", e aí ele manda canalizar essa energia nos estudos, esportes, artes, musica e ajuda ao próximo - Cuidado jovens! Fazer sexo pode deixá-los burros, com orgãos mal desenvolvidos e além disso vcs não poderão dedicar-se às demais atividades.

Gente, não discuto o mérito do autor, o livro foi escrito em 1984, na minha opinião ele traz idéias antigas e preconceitos até para esta época, mas, enfim, eu tinha 4 anos... O que eu entendo sobre o que se acreditava então?

Mas hoje, em 2010, por que este livro é utilizado??

Com tantas pesquisas e tantas coisas já escritas e ainda sendo escritas sobre vícios e excessos, e consequentes prejuízos à saúde física e espiritual, e sobre reforma íntima, auto-conhecimento e auto-desenvolvimento, por que utilizar um livro com idéias ultrapassadas e preconceituosas??

Amo Kardec! Ele foi um revolucionário. Deve ter precisado de muita coragem para abrir mão dos dogmas de uma sociedade católica e divulgar o espiritismo

O Espiritismo, infelizmente, está cada vez mais estagnado, cada vez mais preso à idéias antigas; marcado por traços católicos, preconceitos culturais e sociais. Está cada vez mais religião e menos doutrina, menos ciência, menos filosofia.

Abro mão da religião. Fico com a ciência, com a filosofia, seguindo uma doutrina própria, se for o caso.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sobre Deus



Tenho pensado muito sobre Deus. Não que eu acredite que pensar sobre Deus vai me levar a entender Deus, muito pelo contrário, quanto mais penso mais confusa fico e percebo que frequentemente minha visão de Deus não coincide com minhas atitudes frente a Deus.

"Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas" (Livro dos Espíritos). Gosto dessa resposta, mas vamos combinar que ela diz muito mas explica pouco. Acredito numa causa primária de todas as coisas, acredito que a vida de todos corre em direção à um propósito maior e que estamos na Terra num ciclo de várias vidas em direção a uma evolução. Pra que? Vamos evoluindo em busca da perfeição com qual propósito? Já me perguntei isso vezes o suficiente pra desistir e achar uma resposta, pelo menos por enquanto... volto à esta pergunta daqui à algumas encarnações.

Até que ponto, porém, acredito que Deus, como causa primária de todas as coisas, interfere no que vivemos hoje? Acredito que as coisas já funcionam perfeitamente. Não consigo acreditar num Deus que interfere, que tem preocupações individuais, que ouve nossas preces e as atende. Falando de um modo bem direto, acredito num Deus que Deus tá pouco ligando pro que fazemos ou deixamos de fazer. Nossos acertos não o deixa feliz, assim como nossos erros não o decepcionam, até porque Deus tem que ser onisciente, e portanto já sabe que vamos errar. Deus não vai perdoar ou deixar de perdoar nada, porque na minha noção de Deus não existe a culpa.

Acredito num Deus que é a inteligência suprema, e é sim a causa primária de todas as coisas. Acredito num Deus de amor sim, aliás, a capacidade de sentirmos amor é por si só o meu maior motivo pra acreditar que existe um Deus. É o amor essa perfeição para a qual vamos evoluir, porque qualquer característica boa, qualquer virtude, pode ser explicada por este sentimento. Todas as nossas qualidades são manifestações do amor que sentimos pelos outros, pela vida e por nós mesmos.

Não acredito porém neste Deus paternalista, que protege e apoia seus filhos. Acredito num Deus imparcial, que criou um mundo com leis perfeitas, às quais estamos todos submetidos; ou uma única lei perfeita, a lei de causa e efeito, que funciona pra tudo que é material e imaterial, que abrange matéria e espírito. Dentro disso não há bem e mal, certo e errado, pois todas as atitudes nos trarão exatamente o resultado que precisamos para crescer, pra evoluir. Temos o livre arbítrio de escolher se vamos optar pelas atitudes que nos trarão ensinamentos da forma mais fácil ou mais difícil, temos a opção de aprender o que temos que aprender, ou ignorar as lições e, por consequencia, mantermos ações que nos trarão as mesmas respostas não desejadas. As leis estão ai, e se cumprem.

Isso não significa que não acredito que podemos ser ajudados em alguns momentos; só não acredito que essa ajuda vem de Deus, mas sim de uma legião de espíritos desencarnados que fazem parte de uma rede de relacionamentos interdependentes, e que por isso vão aprendendo, como nós vamos aprendendo enquanto seres encarnados, que se queremos mudar a qualidade da realidade em que vivemos, temos que nos ajudar mutuamente; que a minha vida e o meu mundo serem melhores, depende da vida e do mundo dos meus vizinhos serem melhores tb. Só caminhamos enquanto grupo, e portanto esses espíritos desencarnados nos ajudam, nós os ajudamos, e vamos todos fazendo a nossa parte para criar uma realidade melhor.

Acreditar nisso significa que alguns dos meus hábitos arraigados devem ser mudados:

Se não acredito que Deus tem preocupações com indivíduos, não adianta rezar e pedir nada à Deus, ou falar Deus vai ajudar, e até mesmo o pai nosso, que eu rezo toda noite perde uma boa parte do seu sentido; melhor falar com quem está mais próximo mesmo, com os mentores, anjos da guarda e toda a espiritualidade que está ao nosso redor, buscando fazer o melhor para que o mundo evolua.

Já tive dúvidas quanto à existência de Deus, mas essa visão que tenho hj de Deus me permite ter uma fé inabalável, não porque Deus vai ajudar, mas pq estou submetida à uma lei perfeita que faz com que minhas atitudes tenham a exata consequencia necessária pra eu aprender o que tenho que aprender, pq me faz saber que se eu errar, não preciso pedir perdão à ninguém, apenas tentar acertar da próxima vez, pois meu erro garantirá que terei futuramente outra chance de acertar. Sem punições ou recompensas a vida fica muito mais leve e fácil de ser vivida.

Aí vc me pergunta: Ok, mas então Deus fica o tempo todo fazendo o quê, nada?
Ah, sei lá, mas ele deve ter coisas muito mais interessantes pra fazer do que ficar cuidando das nossas vidas, não deve?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

POR UM ESPIRITISMO MENOS CRISTÃO

Bom, vou começar deixando bem claro que sou uma GRANDE fã de Jesus Cristo; de verdade. Admiro profundamente sua postura, seus ensinamentos e busco, dentro dos meus limites e de minha imperfeição, viver de acordo com tudo que ele pregou. Escrevo com a consciência bem tranqüila, por que tenho certeza que caso ele venha a saber de minhas colocações, terá certeza que não foi pessoal.

Venho de uma família que era espírita por parte de pai e católica por parte de mãe. Quando bem pequena ia ao centro espírita, fazia o evangelho no lar, mas aos poucos fomos perdendo esse costume, de forma que passei grande parte de minha vida sem nenhuma religião definida, e sem sentir necessidade de uma.

Recentemente li o livro Deus, um delírio , e recomendo à qualquer pessoa que se importe com a razão e com a ciência que o leia. Não deixei que acreditar em Deus, o autor não me convenceu que os meus motivos para saber de sua existência não são maiores do que os motivos dele para duvidar, mas foi uma leitura muito enriquecedora e que me fez valorizar cada vez mais a fé raciocinada; e desvalorizar cada vez mais as religiões.

Quando voltei a freqüentar o centro espírita, abracei uma doutrina, não uma religião. Foi minha razão, não minha fé que interessou-se pelo assunto, despertou minha curiosidade e me fez buscar aprender cada vez mais sobre o espiritismo. Na época, minha fé nem tinha certeza que Deus existia ou que Jesus havia realmente vivido. Foi minha razão que se encantou com a reencarnação, a relação espíritos e encarnados e todas as conseqüências disso, e como tudo era claro, lógico e tão verdadeiro.

Depois da fé raciocinada é que foi possível para mim, ter certeza da existência de Deus e perceber que pouco importa se Jesus existiu ou não, é a riqueza dos ensinamentos que importa. E agora eu chego ao meu ponto principal: a fé raciocinada, a verdade.

Infelizmente, cada vez mais vejo um espiritismo católico. A doutrina espírita foi transformada na religião espírita. Cheia de dogmas, preconceitos e prepotência. Novas idéias são rejeitadas por não terem sido escritas por Kardec; pessoas falam a frase “ele não é espírita porque seu grau de evolução ainda não permite que ele entenda a verdade e aceite”, como se existisse alguma verdade nisso e os espíritas fossem seres mais evoluídos; no centro que freqüento cada vez mais se fala muito de Jesus e de seus ensinamentos, mas muito pouco de reencarnação e espiritismo; e pessoas são criticadas e vistas como “rebeldes” por buscarem novas idéias, novos conhecimentos e tentarem focar em tudo que temos à aprender sobre a realidade espiritual, e não na idolatria da figura de Jesus Cristo.

O espiritismo não é a religião que todos seguirão conforme forem evoluindo porque a verdade é a verdade, e não uma religião. O espiritismo é apenas o que é. Uma religião feita por homens (encarnados ou não), que cometem erros e acertos, que vêem uma parte limitada da verdade, pois estão ainda em um planeta de provas e expiações e ainda têm muito a evoluir e a aprender. Dogmas, vaidades e preconceitos vão apenas retardar essa evolução.

No meio disso tudo, Jesus Cristo tem sua importância, mas não é essencial. O espiritismo existe sem Jesus; e, repetir o que nos diz a bíblia muito frequentemente não muda comportamentos e não resulta em reforma interior; saber sobre reencarnação e conseqüências dos próprios atos sim, pois gera a responsabilidade nas pessoas.

Defendo um espiritismo doutrinário, e não religioso. Um espiritismo científico, aberto a questionamentos e novas descobertas. Um espiritismo baseado na fé raciocinada e sem dogmas.

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” - João 8 - 32 / "Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão em todas as épocas da humanidade” •. Allan Kardec

Tempestade

No som do ventilador O silêncio de um vazio preenchido apenas com o vento  O resquício de um sentimento que nunca deixou de estar lá  Seu co...