Meu avô nunca foi um avô fofinho, daqueles que é só carinho, beijos e abraços... Pra falar a verdade, quando pequena, considerava ele meio assustador.
Militar, ele não tinha muito jeito com meninas... Sim, minha mãe era o xodó dele, porém minha mãe nunca foi o protótipo de menina meiga e delicada... Já eu, era totalmente menininha... Acho que ele nunca soube muito bem como lidar com isso, de forma que eu até levava bronca por reclamar e chorar quando meus irmãos me batiam - "age como homem, menina!!", era o que muitas vezes ouvia...
Não entendam mal, ele sempre foi só coração... meus avós, que moram no Rio, passavam o ano comendo do mais simples, pra podermos ter, nas duas vezes do ano que íamos para sua casa, tudo que o tínhamos na nossa.
Meu avô, nos levava e buscava em todos os lugares, e juntava durante todo o ano o dinheiro que nos dava de presente de Natal... Mas não sabia lidar com sentimentos, então havia poucos abraços e beijos, não havia parabéns por telefone no aniversário, e qualquer ligação para a casa dos meus avós implicava que, após o "Alô" e as devidas identificações, a frase seguinte fosse sempre "vou chamar sua avó"...
Eu era delicada demais, e ele não sabia lidar com isso...Ele era fechado demais para demonstrações de afeto, e eu não sabia lidar com isso...
O resultado disso foi que, durante muito tempo, meu relacionamento com meu avô envolvia poucas palavras. E o avô que conhecia era distante e de poucos sorrisos...
Aí veio a Kika. Kika era uma cadela vira-lata que ganhei aos 13 anos, e que, alguns anos depois, dei para os meus avós. Ela era apaixonada por ele. Com ela, ele era só sorrisos e carinhos... E de repente havia um link entre nós dois... Os silêncios foram preenchidos pelas conversas sobre ela, o que ela fazia, como ela estava e as coisas que aprontava... Por causa dela, pudemos achar uma ponte entre nós dois, e abrirmos as portas para um relacionamento um pouco mais próximo.
Nos últimos anos meu avô já não era forte e assustador... A idade deixou ele frágil, e o tempo, muito mais suave... Ainda não sabia lidar bem com as manifestações de afeto; abraços e demonstrações de carinho o deixavam sem graça, mas os sorrisos eram frequentes... Talvez sempre houvessem sido e eu que não percibia.
À cada despedida, as lágrimas em seus olhos nos diziam o quanto éramos amados, a falta e saudades que a distância deixava em seu coração...
A Kika já não era nosso único assunto... trabalho e estudos entraram na lista, e até uma longa conversa, no início deste ano, sobre como ele conheceu minha avó e as peripércias da minha mãe quando pequena...
Neste ano, no dia dos avós, ele já estava no hospital. Pedi que minha mãe me ligasse quando ele estivesse acordado (ele passava longos períodos dormindo), e quando consegui falar com ele, foi muito rapidamente... disse a coisa mais importante que poderia dizer "Vô, eu te amo".
Estas foram as minhas últimas palavras para o meu avô ainda consciente.
Poucos dias depois ele foi transferido para a UTI e passava o tempo todo sedado. Quando estive em Rio das Ostras, falava com um avô muito frágil, inconsciente e preso à muitas máquinas em um quarto de hospital. Algum tempo depois ele morreu.
Meu avô foi um grande homem, com um grande coração... A família, os filhos, os irmãos, os netos estiveram sempre em primeiro lugar... A Kika me possibilitou ver esse coração e me aproximar dele. Sei que onde quer que ele esteja, ele está sendo assistido, e gosto de pensar que, naquele momento de ir em direção à luz, entre outras pessoas que ele amava, estava ela, abanado o rabo e dando pulos de alegria ao rever seu dono tão amado... (e os espíritas não me venham explicar nada sobre animais e espiritismo, gosto dessa imagem e pretendo mantê-la!)
Vô, sinto sua falta!!
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terça-feira, 6 de setembro de 2011
domingo, 26 de dezembro de 2010
Férias, Rio de Janeiro, Natal, Família...
Férias, Rio de Janeiro, Natal, Família...
Este post é dedicado ao maior presente que recebi de Deus... minha família... Os que estavam e os que não estavam presentes neste dia 25/12...
Família é um negócio esquisito, porque a gente não escolhe... A natureza, por ser perfeita, nos criou com a incrível habilidade de sobreviver à ela (rs)... e amá-la desesperadamente.
Aí a gente está lá, com um monte de gente, algumas das quais nunca seriam nossos amigos, por uma série de diferentes fatores... e ainda assim você louco por cada uma daquelas pessoas tão especiais...
Natal pra mim é isso: FAMÍLIA.
Não porque é o dia do nascimento de Jesus... mas porque, morando em São Paulo e longe de todos os primos, primas, tios, tias, avós e avô, essa data sempre foi, desde que me lembro por gente, o único dia do ano em que tenha a chance de ver todo mundo, de estar com todo mundo... É quando a família está unida, mesmo separada...
E por isso amo tanto esta data... Esqueça os presentes, esqueça o feriado, esqueça até o nascimento de Jesus. não é nada disso que eu celebro no dia 25/12... Não é nada disso que me faz feliz...
O fim de ano é uma época feliz por ser meu momento de rever estas pessoas tão queridas, tão donas do meu coração, tão diferentes e tão especiais...
E à meia noite meus pensamentos se elevam em agradecimento pelo presente que é ter cada uma dessas pessoas em minha vida...
Amo vocês!
Este post é dedicado ao maior presente que recebi de Deus... minha família... Os que estavam e os que não estavam presentes neste dia 25/12...
Família é um negócio esquisito, porque a gente não escolhe... A natureza, por ser perfeita, nos criou com a incrível habilidade de sobreviver à ela (rs)... e amá-la desesperadamente.
Aí a gente está lá, com um monte de gente, algumas das quais nunca seriam nossos amigos, por uma série de diferentes fatores... e ainda assim você louco por cada uma daquelas pessoas tão especiais...
Natal pra mim é isso: FAMÍLIA.
Não porque é o dia do nascimento de Jesus... mas porque, morando em São Paulo e longe de todos os primos, primas, tios, tias, avós e avô, essa data sempre foi, desde que me lembro por gente, o único dia do ano em que tenha a chance de ver todo mundo, de estar com todo mundo... É quando a família está unida, mesmo separada...
E por isso amo tanto esta data... Esqueça os presentes, esqueça o feriado, esqueça até o nascimento de Jesus. não é nada disso que eu celebro no dia 25/12... Não é nada disso que me faz feliz...
O fim de ano é uma época feliz por ser meu momento de rever estas pessoas tão queridas, tão donas do meu coração, tão diferentes e tão especiais...
E à meia noite meus pensamentos se elevam em agradecimento pelo presente que é ter cada uma dessas pessoas em minha vida...
Amo vocês!
terça-feira, 31 de agosto de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
O melhor lugar para passar o aniversário de São Paulo é... No Rio!!
Rio das Ostras... Sim! Amo muito tudo isso!! Principalmente quando lá não é feriado...
A viagem começou com descobertas importantíssimas: carro tem chicote (claro né... se tem cavalo, tem que ter chicote! Como não pensei nisso antes?) Enfim, o chicote do ar condicionado do táxi quebrou... Como será que ele vai fazer para controlar os cavalos sem chicote??
Dia 1, ainda, cena dois: discussão importantíssima sobre psicanálise... Onde eu estava com a cabeça quando fui falar pra Anali que ela devia fazer análise, e com um Psicanalista homem... horas e horas para explicar... (Mas que ela ia ser o êxtase de qq terapeuta, isso ia...)
Dia 2 - Cena marcante: D. Sandra andando de van... hahaha, nunca achei que ia ver esse dia... Muito bom... E como só ela andar de van não é suficiente, o cabrador da van tinha a voz do Pato Donald!! Coitado, era até bonitinho... fiquei imaginando a reação das meninas que vão falar com ele, quando ele abre a boca... tadinho... E a gente acha que a vida da gente é difícil?? Mil vezes cabelo crespo e uns poucos quilinhos a mais do que uma voz de Donald (ou de ratinhos da Cinderela - essa acontece com mulheres)
Aproveito pra avisar que quem quiser abrir uma pizzaria rodízio, vai pra Rio das Ostras... Fila enorme pra comer uma pizza meia boca, só porque era rodízio...
Dia 3 - Pastel de camarão e água de coco de frente pro mar... Não tem preço. Com sessão de compras na Rua dos Biquinis, em Cabo Frio - Dia perfeito!!
Dia 4 - Mergulho no mar (no domingo 'tava muito frio e com tempo nublado), bolinho de aipim (para nós, paulistas, mandioca mesmo) de queijo - nem tava lá essas coisas, mas com sol e mar fica tudo ótemo (como diria a querida amiga Anali)
Resto do dia tranquila na piscina...
E tem gente que ainda tem dificuldade pra responder por que merece viver...
Linda, eu mereço viver pra aproveitar todos esses momentos
Pena que tudo acaba, e a terça-feira foi de trabalho e muito sono...
A viagem começou com descobertas importantíssimas: carro tem chicote (claro né... se tem cavalo, tem que ter chicote! Como não pensei nisso antes?) Enfim, o chicote do ar condicionado do táxi quebrou... Como será que ele vai fazer para controlar os cavalos sem chicote??
Dia 1, ainda, cena dois: discussão importantíssima sobre psicanálise... Onde eu estava com a cabeça quando fui falar pra Anali que ela devia fazer análise, e com um Psicanalista homem... horas e horas para explicar... (Mas que ela ia ser o êxtase de qq terapeuta, isso ia...)
Dia 2 - Cena marcante: D. Sandra andando de van... hahaha, nunca achei que ia ver esse dia... Muito bom... E como só ela andar de van não é suficiente, o cabrador da van tinha a voz do Pato Donald!! Coitado, era até bonitinho... fiquei imaginando a reação das meninas que vão falar com ele, quando ele abre a boca... tadinho... E a gente acha que a vida da gente é difícil?? Mil vezes cabelo crespo e uns poucos quilinhos a mais do que uma voz de Donald (ou de ratinhos da Cinderela - essa acontece com mulheres)
Aproveito pra avisar que quem quiser abrir uma pizzaria rodízio, vai pra Rio das Ostras... Fila enorme pra comer uma pizza meia boca, só porque era rodízio...
Dia 3 - Pastel de camarão e água de coco de frente pro mar... Não tem preço. Com sessão de compras na Rua dos Biquinis, em Cabo Frio - Dia perfeito!!
Dia 4 - Mergulho no mar (no domingo 'tava muito frio e com tempo nublado), bolinho de aipim (para nós, paulistas, mandioca mesmo) de queijo - nem tava lá essas coisas, mas com sol e mar fica tudo ótemo (como diria a querida amiga Anali)
Resto do dia tranquila na piscina...
E tem gente que ainda tem dificuldade pra responder por que merece viver...
Linda, eu mereço viver pra aproveitar todos esses momentos
Pena que tudo acaba, e a terça-feira foi de trabalho e muito sono...
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Tempestade
No som do ventilador O silêncio de um vazio preenchido apenas com o vento O resquício de um sentimento que nunca deixou de estar lá Seu co...


