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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Felicidade



Eu podia estar chorando agora
Eu também podia estar dançando valsa, no meio da Paulista, vestida de palhaça...
O que quero dizer é que eu podia estar fazendo qualquer coisa... não importa, é o que eu ESCOLHO fazer que tem alguma importância.

Todo mundo, se procurar, encontrará algo que justifique reclamar da vida, algo que justifique chorar. A vida (felizmente) não é perfeita, e se fosse, ainda assim acharíamos algo do que nos queixarmos. Não fazemos por mal, é apenas natureza humana...

O ser humano é feito (e movido) de desejos.

Conquistar alguma coisa implica na imediata aquisição de um novo desejo.

Desejamos bens, pessoas, dinheiro, emprego, saúde...

E depois desejamos novos bens, desejamos mudar as pessoas, desejamos mais dinheiro, desejamos outro chefe, desejamos aproveitar o fato de termos saúde...

E então desejamos nos desfazer de bens, novas pessoas, gastar o dinheiro, ocupar o lugar do chefe, recuperar a saúde...

E vamos desejando mais e mais, e não há nada de errado nisso, se, junto com as coisas materiais, também desejarmos aprender mais, nos tornarmos pessoas melhores, ajudar os outros, melhorar o mundo...

O problema é ficarmos presos na visão dos desejos insatisfeitos... O problema é quando o que falta cega pro que já se tem... O problema é quando não conseguimos ver o quão divertido é desejar, o quanto o querer mais nos impulsiona, o quão abençoados somos por tudo o que temos.

Talvez a verdadeira felicidade seja, não ter tudo o que queremos, mas ter energia para correr atrás; e aprender a rir dos tropeços do caminho...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009



Cérebro e coração andam separados. Razão e sentimentos são coisas distintas uma da outra, e, às vezes elas caminham juntas, às vezes caminham em direções opostas.

Era isso que ela descobria, que ela vivenciava naquele momento... A realidade batendo à porta, nua e crua e gritando "Olha pra mim, aguenta isso agora!!"

E ela olhava pra porta, e não sabia se convidada a realidade à entrar para uma conversa franca, ou se a mantinha mais uma vez trancada, junto com seus sentimentos, no fundo do coração. Afinal, o que fazer com esta realidade? Que caminho tomar quando razão e coração querem coisas diferentes?? À quem seguir???

A razão, fria e lógica argumentava. Falava do passado, das experiências vividas, dos planos e projetos para futuro, de tudo que foi construído depois que o coração, partido em mil pedaços, juntou seus caquinhos e seguiu em frente. A razão falava do futuro, fazia projeções baseadas em tudo que já se sabia. E lembrava frequentemente que as pessoas não mudam. E ela ouvia, se sabia que tudo o que ouvia era real demais, forte demais para ser ignorado.

Mas o coração... bem, o coração não falava, o coração sentia. Batia forte com as lembranças, derretia a cada sorriso, cada gesto tão conhecido. O coração desejava. De forma avassaladora e desesperada, desejava com a voracidade de... talvez a voracidade de uma parasita, incapaz de refrear-se mesmo diante da certeza da destruição de ambos.

"Destruição," lembrava a razão, "nada diferente disso pode vir de uma reaproximação"

Mas a erupção já tinha ocorrido, e era impossível controlar os sentimentos agora.Impossível ignorar e fingir que eles não existiam.

E sua tristeza vinha, não de ter que escolher entre razão e emoção, ambos estavam certos, não havia necessidade de escolher, mas a igualdade das forças de ambos a deixavam parada, estagnada, e frustrada, pois a existência dos sentimentos desagradavam a razão, e a existência da razão anulava a possibilidade de satisfazer os sentimentos.

E assim ela ficou, olhando a explosão de sentimentos destruir tudo que havia sido conquistado, e juntando forças para recomeçar e construir tudo outra vez.

Tempestade

No som do ventilador O silêncio de um vazio preenchido apenas com o vento  O resquício de um sentimento que nunca deixou de estar lá  Seu co...