sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Sobre o amor - Ferreira Gullar
"Houve uma época em que eu pensava que as pessoas deviam ter um gatilho na garganta: quando pronunciasse — eu te amo —, mentindo, o gatilho disparava e elas explodiam. Era uma defesa intolerante contra os levianos e que refletia sem dúvida uma enorme insegurança de seu inventor. Insegurança e inexperiência. Com o passar dos anos a idéia foi abandonada, a vida revelou-me sua complexidade, suas nuanças. Aprendi que não é tão fácil dizer eu te amo sem pelo menos achar que ama e, quando a pessoa mente, a outra percebe, e se não percebe é porque não quer perceber, isto é: quer acreditar na mentira. Claro, tem gente que quer ouvir essa expressão mesmo sabendo que é mentira. O mentiroso, nesses casos, não merece punição alguma.
Por aí já se vê como esse negócio de amor é complicado e de contornos imprecisos. Pode-se dizer, no entanto, que o amor é um sentimento radical — falo do amor-paixão — e é isso que aumenta a complicação. Como pode uma coisa ambígua e duvidosa ganhar a fúria das tempestades? Mas essa é a natureza do amor, comparável à do vento: fluido e arrasador. É como o vento, também às vezes doce, brando, claro, bailando alegre em torno de seu oculto núcleo de fogo.
O amor é, portanto, na sua origem, liberação e aventura. Por definição, anti-burguês. O próprio da vida burguesa não é o amor, é o casamento, que é o amor institucionalizado, disciplinado, integrado na sociedade. O casamento é um contrato: duas pessoas se conhecem, se gostam, se sentem a traídas uma pela outra e decidem viver juntas. Isso poderia ser uma COisa simples, mas não é, pois há que se inserir na ordem social, definir direitos e deveres perante os homens e até perante Deus. Carimbado e abençoado, o novo casal inicia sua vida entre beijos e sorrisos. E risos e risinhos dos maledicentes. Por maior que tenha sido a paixão inicial, o impulso que os levou à pretoria ou ao altar (ou a ambos), a simples assinatura do contrato já muda tudo. Com o casamento o amor sai do marginalismo, da atmosfera romântica que o envolvia, para entrar nos trilhos da institucionalidade. Torna-se grave. Agora é construir um lar, gerar filhos, criá-los, educá-los até que, adultos, abandonem a casa para fazer sua própria vida. Ou seja: se corre tudo bem, corre tudo mal. Mas, não radicalizemos: há exceções — e dessas exceções vive a nossa irrenunciável esperança.
Conheci uma mulher que costumava dizer: não há amor que resista ao tanque de lavar (ou à máquina, mesmo), ao espanador e ao bife com fritas. Ela possivelmente exagerava, mas com razão, porque tinha uns olhos ávidos e brilhantes e um coração ansioso. Ouvia o vento rumorejar nas árvores do parque, à tarde incendiando as nuvens e imaginava quanta vida, quanta aventura estaria se desenrolando naquele momento nos bares, nos cafés, nos bairros distantes. À sua volta certamente não acontecia nada: as pessoas em suas respectivas casas estavam apenas morando, sofrendo uma vida igual à sua. Essa inquietação bovariana prepara o caminho da aventura, que nem sempre acontece. Mas dificilmente deixa de acontecer. Pode não acontecer a aventUra sonhada, o amor louco, o sonho que arrebata e funda o paraíso na terra. Acontece o vulgar adultério - o assim chamado -, que é quase sempre decepcionante, condenado, amargo e que se transforma numa espécie de vingança contra a mediocridade da vida. É como uma droga que se toma para curar a ansiedade e reajustar-se ao status quo. Estou curada, ela então se diz — e volta ao bife com fritas.
Mas às vezes não é assim. Às vezes o sonho vem, baixa das nuvens em fogo e pousa aos teus pés um candelabro cintilante. Dura uma tarde? Uma semana? Um mês? Pode durar um ano, dois até, desde que as dificuldades sejam de proporção suficiente para manter vivo o desafio e não tão duras que acovardem os amantes. Para isso, o fundamental é saber que tudo vai acabar. O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repente, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não comporta tanta realidade, como falou um poeta maior. E enxugados os olhos, aberta a janela, lá estão as mesmas nuvens rolando lentas e sem barulho pelo céu deserto de anjos. O alívio se confunde com o vazio, e você agora prefere morrer.
A barra é pesada. Quem conheceu o delírio dificilmente se habitua à antiga banalidade. Foi Gogol, no Inspetor Geral quem captou a decepção desse despertar. O falso inspetor mergulhara na fascinante impostura que lhe possibilitou uma vida de sonho: homenagens, bajulações, dinheiro e até o amor da mulher e da filha do prefeito. Eis senão quando chega o criado, trazendo-lhe o chapéu e o capote ordinário, signos da sua vida real, e lhe diz que está na hora de ir-se pois o verdadeiro inspetor está para chegar. Ele se assusta: mas então está tUdo acabado? Não era verdade o sonho? E assim é: a mais delirante paixão, terminada, deixa esse sabor de impostura na boca, como se a felicidade não pudesse ser verdade. E no entanto o foi, e tanto que é impossível continuar vivendo agora, sem ela, normalmente. Ou, como diz Chico Buarque: sofrendo normalmente.
Evaporado o fantasma, reaparece em sua banal realidade o guardaroupa, a cômoda, a camisa usada na cadeira, os chinelos. E tUdo impregnado da ausência do sonho, que é agora uma agulha escondida em cada objeto, e te fere, inesperadamente, quando abres a gaveta, o livro. E te fere não porque ali esteja o sonho ainda, mas exatamente porque já não está: esteve. Sais para o trabalho, que é preciso esquecer, afundar no dia-a-dia, na rotina do dia, tolerar o passar das horas, a conversa burra, o cafezinho, as notícias do jornal. Edifícios, ruas, avenidas, lojas, cinema, aeroportos, ônibus, carrocinhas de sorvete: o mundo é um incomensurável amontoado de inutilidades. E de repente o táxi que te leva por uma rua onde a memória do sonho paira como um perfume. Que fazer? Desviar-se dessas ruas, ocultar os objetos ou, pelo contrário, expor-se a tudo, sofrer tudo de uma vez e habituarse? Mais dia menos dia toda a lembrança se apaga e te surpreendes gargalhando, a vida vibrando outra vez, nova, na garganta, sem culpa nem desculpa. E chegas a pensar: quantas manhãs como esta perdi burramente! O amor é uma doença como outra qualquer.
E é verdade. Uma doença ou pelo menos uma anormalidade. Como pode acontecer que, subitamente, num mundo cheio de pessoas, alguém meta na cabeça que só existe fulano ou fulana, que é impossível viver sem essa pessoa? E reparando bem, tirando o rosto que era lindo, o corpo não era lá essas coisas... Na cama era regular, mas no papo um saco, e mentia, dizia tolices, e pensar que quase morro!...
Isso dizes agora, comendo um bife com fritas diante do espetáculo vesperal dos cúmulos e nimbos. Em paz com a vida. Ou não."
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Borboleta
Existe algo que não sei explicar...
E esse algo me faz achar que pode dar tão certo... mas de repente não é nada além do meu querer... Um querer enorme, que contém nele todo um universo...
Um querer com a intensidade de tudo que toco, e que vira, não pedra, mas fogo...
E talvez, em outros tempos, esse querer fosse o suficiente para eu apostar todas as minhas fichas na remota possibilidade de um dia você me olhar de verdade... ver a mulher que surgiu quando lagarta entrou no casúlo decidida a virar borboleta; e, como na música da Adele, que tanto amo, te desafiasse a me permitir ser a pessoa pra você...
Mas não... não te desafio à nada.
Veja o que quiser, se quiser, e se não quiser não veja...
Há o céu, as flores e um mundo enorme pra que uma borboleta fique parada esperando ser notada...
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
"Eu tive um sonho ruim, e acordei chorando..."
"Like a little girl cries in the face
Of a monster that lives in her dreams
Is there anyone out there?
Cause it's getting harder and harder to breathe" - Adam Levine e Jesse Carmichael
Meus monstros moram todos nos meus sonhos.
É à noite, quando minha razão dorme que meus medos e inseguranças saem do inconsciente para me atormentar... que situações sem sentido me levam à beira do desespero... que meus traumas voltam a se tornar reais.
E meus sonhos são bem reais...
E será que não havia algo a ser compreendido naquela mistura de imagens que tanto me angustiaram? Um medo manisfesto oniricamente, ou um aviso sobre aquilo que pode acontecer quando eu teimo em não ver o que é tão claro?
Você esteve, novamente, em meus sonhos essa noite...
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Auto-retrato
Sou feita de opostos
Da alternância constante entre o quente e o frio, coberta com uma camada de auto-controle que faz tudo parecer em estável.
Mas tente não se enganar com isso
As correntes por baixo do mar tranquilo têm uma força inimaginável ao observador desatento,
mas o farão afogar-se.
O óbvio me entedia
O medíocre me aborrece.
Amo incondicionalmente,
Choro compulsivamente
Vivo intensamente
Meus sentimentos são todos fortes e não tenho medo de vivê-los
Alegria, tristeza, medo, raiva e todas as variantes têm morada garantida em meu peito
Adoro lembranças inesquecíveis, viradas imprevisíveis, amores impossíveis
Mas você não vai perceber isso à primeira vista
Nada em mim é gritado aos quatro ventos
Sou um livro aberto
Mas você tem que ter o trabalho de lê-lo.
domingo, 23 de outubro de 2011
Tudo igual e tão diferente
Eu fiz de novo.
Mais uma vez sigo em frente cometendo sempre os mesmos erros, tropeçando nas mesmas pedras que eu já sei que estão pelo caminho...
Mais uma vez me pego caminhando em direção ao mesmo precipício, ouvindo as vozes que me pedem para me jogar e sentir a adrenalina e a sensação de plenitude da queda.
Mais uma vez eu me aproximo um pouco demais do fogo por me faltar o medo de me queimar...
Mas desta vez algo me pára no meio do caminho... desta vez algo mudou...
Agora consigo ver claramente os sinais que antes preferi ignorar...
A forma como seu mundo ainda orbita em torno dela... A indiferença, não no sentido negativo da palavra, mas naquilo que ela estritamente representa...
Agora consigo olhar pra mim e me enxergar muito melhor... o que sou, o que quero, o que mereço.
E enquanto esses sinais passam pelo meu caminho olho para frente e vejo o que me aguarda... "Espera!!" Escuto uma voz me dizer - "Vale a pena?" E consigo, em paz, dar meia volta, e abrir mão daquilo que não me serve mais.
A voz na minha cabeça? É a minha.
Não, não é o medo mais que me pára. O nome disso é auto-estima...
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Mensagem pra mim mesma (e pra quem mais precisar dela)
E se uma situação fizer com que você se sinta insignificante??
Não se engane... ninguém é capaz de fazer com que você se sinta insignificante... ninguém além de você mesmo...
Talvez haja um motivo real para que você se sinta assim, e aí cabe perguntar o que precisa ser mudado... Talvez as frases na sua cabeça tenham a ver com um passado distante, e com coisas nas quais você acreditou que não mais refletem a verdade, e não te servem mais... E apenas você poderá travar a difícil batalha para vencer as crenças limitantes e substituí-las por outras, mais saudáveis...
Afinal, você pode acreditar no que quiser... e se é pra escolher, melhor focar naquilo que te coloca pra cima, que te contrói, que te faz mais forte e feliz... Não é???
Não se engane... ninguém é capaz de fazer com que você se sinta insignificante... ninguém além de você mesmo...
Talvez haja um motivo real para que você se sinta assim, e aí cabe perguntar o que precisa ser mudado... Talvez as frases na sua cabeça tenham a ver com um passado distante, e com coisas nas quais você acreditou que não mais refletem a verdade, e não te servem mais... E apenas você poderá travar a difícil batalha para vencer as crenças limitantes e substituí-las por outras, mais saudáveis...
Afinal, você pode acreditar no que quiser... e se é pra escolher, melhor focar naquilo que te coloca pra cima, que te contrói, que te faz mais forte e feliz... Não é???
terça-feira, 6 de setembro de 2011
A descoberta de um avô
Meu avô nunca foi um avô fofinho, daqueles que é só carinho, beijos e abraços... Pra falar a verdade, quando pequena, considerava ele meio assustador.
Militar, ele não tinha muito jeito com meninas... Sim, minha mãe era o xodó dele, porém minha mãe nunca foi o protótipo de menina meiga e delicada... Já eu, era totalmente menininha... Acho que ele nunca soube muito bem como lidar com isso, de forma que eu até levava bronca por reclamar e chorar quando meus irmãos me batiam - "age como homem, menina!!", era o que muitas vezes ouvia...
Não entendam mal, ele sempre foi só coração... meus avós, que moram no Rio, passavam o ano comendo do mais simples, pra podermos ter, nas duas vezes do ano que íamos para sua casa, tudo que o tínhamos na nossa.
Meu avô, nos levava e buscava em todos os lugares, e juntava durante todo o ano o dinheiro que nos dava de presente de Natal... Mas não sabia lidar com sentimentos, então havia poucos abraços e beijos, não havia parabéns por telefone no aniversário, e qualquer ligação para a casa dos meus avós implicava que, após o "Alô" e as devidas identificações, a frase seguinte fosse sempre "vou chamar sua avó"...
Eu era delicada demais, e ele não sabia lidar com isso...Ele era fechado demais para demonstrações de afeto, e eu não sabia lidar com isso...
O resultado disso foi que, durante muito tempo, meu relacionamento com meu avô envolvia poucas palavras. E o avô que conhecia era distante e de poucos sorrisos...
Aí veio a Kika. Kika era uma cadela vira-lata que ganhei aos 13 anos, e que, alguns anos depois, dei para os meus avós. Ela era apaixonada por ele. Com ela, ele era só sorrisos e carinhos... E de repente havia um link entre nós dois... Os silêncios foram preenchidos pelas conversas sobre ela, o que ela fazia, como ela estava e as coisas que aprontava... Por causa dela, pudemos achar uma ponte entre nós dois, e abrirmos as portas para um relacionamento um pouco mais próximo.
Nos últimos anos meu avô já não era forte e assustador... A idade deixou ele frágil, e o tempo, muito mais suave... Ainda não sabia lidar bem com as manifestações de afeto; abraços e demonstrações de carinho o deixavam sem graça, mas os sorrisos eram frequentes... Talvez sempre houvessem sido e eu que não percibia.
À cada despedida, as lágrimas em seus olhos nos diziam o quanto éramos amados, a falta e saudades que a distância deixava em seu coração...
A Kika já não era nosso único assunto... trabalho e estudos entraram na lista, e até uma longa conversa, no início deste ano, sobre como ele conheceu minha avó e as peripércias da minha mãe quando pequena...
Neste ano, no dia dos avós, ele já estava no hospital. Pedi que minha mãe me ligasse quando ele estivesse acordado (ele passava longos períodos dormindo), e quando consegui falar com ele, foi muito rapidamente... disse a coisa mais importante que poderia dizer "Vô, eu te amo".
Estas foram as minhas últimas palavras para o meu avô ainda consciente.
Poucos dias depois ele foi transferido para a UTI e passava o tempo todo sedado. Quando estive em Rio das Ostras, falava com um avô muito frágil, inconsciente e preso à muitas máquinas em um quarto de hospital. Algum tempo depois ele morreu.
Meu avô foi um grande homem, com um grande coração... A família, os filhos, os irmãos, os netos estiveram sempre em primeiro lugar... A Kika me possibilitou ver esse coração e me aproximar dele. Sei que onde quer que ele esteja, ele está sendo assistido, e gosto de pensar que, naquele momento de ir em direção à luz, entre outras pessoas que ele amava, estava ela, abanado o rabo e dando pulos de alegria ao rever seu dono tão amado... (e os espíritas não me venham explicar nada sobre animais e espiritismo, gosto dessa imagem e pretendo mantê-la!)
Vô, sinto sua falta!!
Militar, ele não tinha muito jeito com meninas... Sim, minha mãe era o xodó dele, porém minha mãe nunca foi o protótipo de menina meiga e delicada... Já eu, era totalmente menininha... Acho que ele nunca soube muito bem como lidar com isso, de forma que eu até levava bronca por reclamar e chorar quando meus irmãos me batiam - "age como homem, menina!!", era o que muitas vezes ouvia...
Não entendam mal, ele sempre foi só coração... meus avós, que moram no Rio, passavam o ano comendo do mais simples, pra podermos ter, nas duas vezes do ano que íamos para sua casa, tudo que o tínhamos na nossa.
Meu avô, nos levava e buscava em todos os lugares, e juntava durante todo o ano o dinheiro que nos dava de presente de Natal... Mas não sabia lidar com sentimentos, então havia poucos abraços e beijos, não havia parabéns por telefone no aniversário, e qualquer ligação para a casa dos meus avós implicava que, após o "Alô" e as devidas identificações, a frase seguinte fosse sempre "vou chamar sua avó"...
Eu era delicada demais, e ele não sabia lidar com isso...Ele era fechado demais para demonstrações de afeto, e eu não sabia lidar com isso...
O resultado disso foi que, durante muito tempo, meu relacionamento com meu avô envolvia poucas palavras. E o avô que conhecia era distante e de poucos sorrisos...
Aí veio a Kika. Kika era uma cadela vira-lata que ganhei aos 13 anos, e que, alguns anos depois, dei para os meus avós. Ela era apaixonada por ele. Com ela, ele era só sorrisos e carinhos... E de repente havia um link entre nós dois... Os silêncios foram preenchidos pelas conversas sobre ela, o que ela fazia, como ela estava e as coisas que aprontava... Por causa dela, pudemos achar uma ponte entre nós dois, e abrirmos as portas para um relacionamento um pouco mais próximo.
Nos últimos anos meu avô já não era forte e assustador... A idade deixou ele frágil, e o tempo, muito mais suave... Ainda não sabia lidar bem com as manifestações de afeto; abraços e demonstrações de carinho o deixavam sem graça, mas os sorrisos eram frequentes... Talvez sempre houvessem sido e eu que não percibia.
À cada despedida, as lágrimas em seus olhos nos diziam o quanto éramos amados, a falta e saudades que a distância deixava em seu coração...
A Kika já não era nosso único assunto... trabalho e estudos entraram na lista, e até uma longa conversa, no início deste ano, sobre como ele conheceu minha avó e as peripércias da minha mãe quando pequena...
Neste ano, no dia dos avós, ele já estava no hospital. Pedi que minha mãe me ligasse quando ele estivesse acordado (ele passava longos períodos dormindo), e quando consegui falar com ele, foi muito rapidamente... disse a coisa mais importante que poderia dizer "Vô, eu te amo".
Estas foram as minhas últimas palavras para o meu avô ainda consciente.
Poucos dias depois ele foi transferido para a UTI e passava o tempo todo sedado. Quando estive em Rio das Ostras, falava com um avô muito frágil, inconsciente e preso à muitas máquinas em um quarto de hospital. Algum tempo depois ele morreu.
Meu avô foi um grande homem, com um grande coração... A família, os filhos, os irmãos, os netos estiveram sempre em primeiro lugar... A Kika me possibilitou ver esse coração e me aproximar dele. Sei que onde quer que ele esteja, ele está sendo assistido, e gosto de pensar que, naquele momento de ir em direção à luz, entre outras pessoas que ele amava, estava ela, abanado o rabo e dando pulos de alegria ao rever seu dono tão amado... (e os espíritas não me venham explicar nada sobre animais e espiritismo, gosto dessa imagem e pretendo mantê-la!)
Vô, sinto sua falta!!
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Expectativas
Teria uma vida de sucesso profissional...
Encontraria o grande amor da minha vida...
Teria um casal de filhos lindos, inteligentes, engraçados...
Teria uma linda casa, em algum lugar afastado da bagunça de São Paulo...
E isso seria a felicidade eterna... como num comercial de margarina de longa duração...
Doce ilusão de controle, em uma tola juventude onde acreditava que sabia tudo...
Hoje, nem tão mais velha assim, ainda estou buscando descobrir o que é esse tal de sucesso profissional e como conciliar ganhar dinheiro e fazer o que se ama.
O príncipe encantado deixou de existir há muito tempo e foi substituido pela busca por alguém que provavelmente será cheio de manias irritantes, mas que será companheiro suficiente pra fazer valer a pena resolver problemas e desentendimentos.
Aprendi, mesmo ainda não tendo filhos, que seus filhos perfeitos, em certos dias, podem te deixar à beira de de um surto psicótico no estilo "Um dia de fúria"...
Descobri que ou escolhemos as facilidades dos grandes centros ou a tranquilidade das pequenas cidades...
Hoje não reclamo do sol, ou do frio, ou da chuva (às vezes da falta dela, mas no nome disso é rinite-rs). Aproveito o que a vida traz, e sou grata por isso.
Hoje tenho poucas expectativas às quais me apego... Mas, não! Espere um pouco antes de sentir pena da menina que perdeu seus sonhos pelo caminho... Hoje, vejo a vida de um modo novo... E isso é, no mínimo, libertador...
Para mim, a vida - essa que tenho hoje - é uma parte pequena de um longo caminho de evolução por muitas e muitas vidas; ou ela é uma longa caminhada rumo à inexistência, ao nada pós-morte...
Qualquer uma dessas duas visões sobre a vida me libertam do apego e da angústia com relação ao futuro; me libertam da ansiedade que acompanha qualquer tipo de expectativa sobre o que poderá ou não acontecer. Também me sinto liberta do passado... os erros e os acertos são, ou parte de um processo de evolução que me permitiu chegar até aqui; ou situações sem nenhuma importâcia diante do nada que virá.
Os problemas e preocupações têm nenhuma, ou muito pouca importância diante da eternidade ou do nada.
Ainda tenho projetos, ainda sonho... Sonho em mudar o mundo, em colaborar para que o planeta Terra seja um lugar melhor pra se viver, e trabalho dia a dia para tornar esse sonho realidade. E quando este sonho se transforma em atitude, não é idealismo, é construção.
Tenho projetos para o meu futuro, acredito e trabalho nestes projetos no momento presente, mas, se algo acontecer no caminho que os impeçam de tornarem-se realizade, então a gente muda os projetos, muda os sonhos... nunca a alegria. Perdi a ilusão de que tenho tudo sob meu controle, que tenho que estar sempre certa, de que o fracasso existe.
Meu momento mais importante é agora, e vou viver este momento livre de sentimentos de não-realização; livre de preocupações com situações sobre a qual não tenho controle; livre de tristezas inúteis... Isso se chama FELICIDADE.
No final, o que vai contar, são as boas lembranças, os amigos e pessoas queridas. No final, não estarei me perguntando quanto dinheiro consegui, não estarei me cobrando estar casada ou solteira, não importará nem um pouco onde morei...
No final o que contará é a paz no coração, as vidas que a gente tocou, o caminho que a gente percorreu de bem com a vida, enchendo o mundo de alegria, compaixão, amor e paz. É isso que fará valer a pena!!
No último momento, sei que minha pergunta pra mim mesma será: "E aí Renata, você conseguiu tornar o mundo um lugar melhor? E, se não conseguiu, o quanto você tentou? "
E me diz: quem vocês conhecem que conseguiu mudar o mundo pra melhor levando uma vida cheia de frustrações, de apego a expectativas não realizadas, de mal humor e de tristeza? Sem conseguir aproveitar o hoje por estar preso ao passado ou ao futuro??
quinta-feira, 2 de junho de 2011
A MORTE
Deixo o link para meu outro blog, o profissional. O texto e vídeo falem muito a pena.
http://psicologarenatapeixoto.blogspot.com/2011/06/morte.html
Beijinhos!!
http://psicologarenatapeixoto.blogspot.com/2011/06/morte.html
Beijinhos!!
terça-feira, 31 de maio de 2011
Tormenta
Uma imagem.
Pra representar o que eu não conseguiria dizer em mil palavras...
Pra mostrar como anda a alma, que os gestos e palavras calmas e sensatas escondem...
Pra falar do que o sorriso - muitas vezes até sincero - não diz durante o dia
mas que as lágrimas gritam à noite.. quando ninguém está por perto e não há a necessidade de ser forte...
Uma imagem...
Em memória dos sonhos desfeitos.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
E SE EU FOSSE EU...O QUE FARIA?
Não, a pergunta não está errada...
Você já se sentiu como alguém tão diferente de você mesmo que você se fez a pergunta acima?? Ontem me senti assim...
Engraçado, a gente vai formando uma visão de nós mesmos desde de que nascemos, e de repente essa visão se torna uma verdade absoluta e incontestável... Eu SOU assim...
Mas o tempo passa... e de repente ontem me vi uma outra pessoa... totalmente diferente de mim.
Isso não é ruim... gosto da nova eu... mas até que ponto tenho tomado decisões e agido com as pessoas ao meu redor baseada em meus conceitos sobre uma "eu" que nem existe mais???
Você já se sentiu como alguém tão diferente de você mesmo que você se fez a pergunta acima?? Ontem me senti assim...
Engraçado, a gente vai formando uma visão de nós mesmos desde de que nascemos, e de repente essa visão se torna uma verdade absoluta e incontestável... Eu SOU assim...
Mas o tempo passa... e de repente ontem me vi uma outra pessoa... totalmente diferente de mim.
Isso não é ruim... gosto da nova eu... mas até que ponto tenho tomado decisões e agido com as pessoas ao meu redor baseada em meus conceitos sobre uma "eu" que nem existe mais???
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