quarta-feira, 29 de junho de 2011

Expectativas


Quando era mais nova, costumava esperar muito da vida. Tinha grandes expectativas com relação a trabalho, familia, casa...

Teria uma vida de sucesso profissional...
Encontraria o grande amor da minha vida...
Teria um casal de filhos lindos, inteligentes, engraçados...
Teria uma linda casa, em algum lugar afastado da bagunça de São Paulo...
E isso seria a felicidade eterna... como num comercial de margarina de longa duração...

Doce ilusão de controle, em uma tola juventude onde acreditava que sabia tudo...

Hoje, nem tão mais velha assim, ainda estou buscando descobrir o que é esse tal de sucesso profissional e como conciliar ganhar dinheiro e fazer o que se ama.
O príncipe encantado deixou de existir há muito tempo e foi substituido pela busca por alguém que provavelmente será cheio de manias irritantes, mas que será companheiro suficiente pra fazer valer a pena resolver problemas e desentendimentos.
Aprendi, mesmo ainda não tendo filhos, que seus filhos perfeitos, em certos dias, podem te deixar à beira de de um surto psicótico no estilo "Um dia de fúria"...
Descobri que ou escolhemos as facilidades dos grandes centros ou a tranquilidade das pequenas cidades...

Hoje não reclamo do sol, ou do frio, ou da chuva (às vezes da falta dela, mas no nome disso é rinite-rs). Aproveito o que a vida traz, e sou grata por isso.

Hoje tenho poucas expectativas às quais me apego... Mas, não! Espere um pouco antes de sentir pena da menina que perdeu seus sonhos pelo caminho... Hoje, vejo a vida de um modo novo... E isso é, no mínimo, libertador...

Para mim, a vida - essa que tenho hoje - é uma parte pequena de um longo caminho de evolução por muitas e muitas vidas; ou ela é uma longa caminhada rumo à inexistência, ao nada pós-morte...

Qualquer uma dessas duas visões sobre a vida me libertam do apego e da angústia com relação ao futuro; me libertam da ansiedade que acompanha qualquer tipo de expectativa sobre o que poderá ou não acontecer. Também me sinto liberta do passado... os erros e os acertos são, ou parte de um processo de evolução que me permitiu chegar até aqui; ou situações sem nenhuma importâcia diante do nada que virá.

Os  problemas e preocupações têm nenhuma, ou muito pouca importância diante da eternidade ou do nada.

Ainda tenho projetos, ainda sonho... Sonho em mudar o mundo, em colaborar para que o planeta Terra seja um lugar melhor pra se viver, e trabalho dia a dia para tornar esse sonho realidade. E quando este sonho se transforma em atitude, não é idealismo, é construção.

Tenho projetos para o meu futuro, acredito e trabalho nestes projetos no momento presente, mas, se algo acontecer no caminho que os impeçam de tornarem-se realizade, então a gente muda os projetos, muda os sonhos... nunca a alegria. Perdi a ilusão de que tenho tudo sob meu controle, que tenho que estar sempre certa, de que o fracasso existe.

Meu momento mais importante é agora, e vou viver este momento livre de sentimentos de não-realização; livre de preocupações com situações sobre a qual não tenho controle; livre de tristezas inúteis... Isso se chama FELICIDADE.

No final, o que vai contar, são as boas lembranças, os amigos e pessoas queridas. No final, não estarei me perguntando quanto dinheiro consegui, não estarei me cobrando estar casada ou solteira, não importará nem um pouco onde morei...

No final o que contará é a paz no coração, as vidas que a gente tocou, o caminho que a gente percorreu de bem com a vida, enchendo o mundo de alegria, compaixão, amor e paz. É isso que fará valer a pena!!

No último momento, sei que minha pergunta pra mim mesma será: "E aí Renata, você conseguiu tornar o mundo um lugar melhor? E, se não conseguiu, o quanto você tentou? "

E me diz: quem vocês conhecem que conseguiu mudar o mundo pra melhor levando uma vida cheia de frustrações, de apego a expectativas não realizadas, de mal humor e de tristeza? Sem conseguir aproveitar o hoje por estar preso ao passado ou ao futuro??

quinta-feira, 2 de junho de 2011