sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Correntes - Sobre erros, crenças e aprendizados


Desde pequenos vamos interpretando o que acontece a nossa volta, e atribuindo significados; mas quem disse que fazemos isso bem??

A criança não entende e não sabe lidar com suas emoções. Logo, estas, em especial as emoções negativas, causam um sentimento de medo muito forte, pois "aquilo que eu não entendo e não sei fazer ir embora pode me destruir".

O egocentrismo infantil colabora para uma visão distorcida das coisas.
A morte de alguém, na primeira infância, pode ser interpretada pela criança como algo que ela mesma causou, assim como a separação dos pais, ou qualquer outro acontecimento. A divisão da atenção dos pais com um novo irmãzinho pode ser interpretada como "eu sou mau, e por isso minha mãe não me dá atenção", a implicância de um coleguinha na escola por ser interpretada como "não mereço que gostem de mim"...

Vamos atribuindo significados aos fatos de maneira a justificar nossos sentimentos, e, com uma frequencia extremamente elevada, interpretamos tudo errado, e pior, essa interpretação dos fatos nos coloca para baixo. Com o tempo, vamos procurando fatos que reforçem nossa interpretação, e criando crenças que viram verdades inquestionáveis.

Aí crescemos, acreditando que não somos merecedores de amor e admiração, ou que nada dá certo pra gente e muitas outras coisas; e essas crenças ficam lá, guardadas em nosso incosciente e nos fazendo continuar a interpretar os fatos da maneira necessária para reforçá-las.

Perdemos nossa capacidade de olhar com imparcialidade uma situação, pois estas crenças estão lá, destacando aqueles detalhes que as fazem mais forte e dando a eles um tamanho muito maior do que realmente possuem. Resultado: vemos uma realidade distrocida, acreditamos nela, sentimos medo da dor iremos sentir se nossas crenças forem reforçadas, nos sabotamos e, consequentemente, nossas crenças se tornam auto-realizáveis. E isso vai gerando um círculo vicioso do qual é difícil sair.

Passei por isso essa semana, mais uma vez. E tive a sorte de ter alguém que, ao me mostrar minhas atitudes, me fez reparar na forma como estava deixando o medo me dominar por causa de crenças que nem são reais...

Se os resultados dessas atitudes não puderem ser consertados e isso tiver um impacto negativo, é triste, mas ainda assim, valeu. Tenho uma situação bem real pra me lembrar a não deixar isso acontecer nunca mais e pra me manter, como venho fazendo desde então, ocupada na construção de crenças que me fortaleçam, e não que me destruam.

Porque eu sou aquilo que eu acredito ser.

E você? Quais as crenças que estão atrapalhando a sua vida? Que correntes te prendem a obtenção constante dos mesmos resultados?

sábado, 14 de janeiro de 2012

... Mas tenho medo.

"E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro." - Martha Medeiros


"…Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo." - Martha Medeiros



Nossas experiências passadas guiam a maneira como iremos vivenciar nossas experiências presentes.
Às vezes funciona, e é um mecanismo importante para o aprendizado. Às vezes este é um comportamento desadaptativo e burro... Mas como saber?

Sentimos medo porque, ao comparar uma situação com suas similares do passado, algo de nossas experiências nos diz que estamos em risco. Às vezes estamos. Às vezes não... Mas como saber?

Sim, essa situação está cada vez mais parecida com o passado... e as coisas não terminaram nada bem para mim naquela época...

Sim, é amor. Não passarei nenhum segundo tentando negar o óbvio...
Amizade, carinho, cuidado, vontade de estar junto, querer bem, segurança + pensamento constante em você, saudades, desejo, coração que dispara quando o telefone toca e é você = AMOR

O sentimento é lindo, e ficaria muito feliz de apenas vivê-lo, se  a parte paixão de tudo isso não viesse acompanhada de insegurança, ciúmes e, principalmente, medo. Muito medo.

Sim, estou com medo... Você pode me dizer que não há necessidade de sentí-lo?

Razão e coração me mandam seguir caminhos opostos...

E como disse Wood Allen: "É muito difícil fazer sua cabeça e seu coração trabalharem juntos. No meu caso, eles não são nem amigos."