quarta-feira, 1 de setembro de 2010

E volto a falar de espiritismo...

Já escrevi aqui sobre espiritismo (http://ovoodafenixx.blogspot.com/2009/01/por-um-espiritismo-menos-cristo.html), hoje volto ao assunto.

Cresci espírita, ou pelo menos próxima disso. Até onde sei, minha bisavó já era espírita (embora não lembre bem onde ouvi isso), e, tendo passado a minha vida inteira em meio à idéias, e, principalmente, à pensadores espíritas, sou adepta de muitas de suas idéias.

Volto porém à palavra PENSADORES. Tenho um orgulho enorme de dizer que cresci em uma família de pensadores. Na mesa da cozinha da minha avó cresci ouvindo meu pai e tias discutirem política, educação, economia, e até espiritismo às vezes (embora este fosse um tema menos polêmico).

Cresci aprendendo a pensar, questionar, gerar novas idéias. Reproduzir, apenas quando fazia sentido, quando minha razão concordava com o que estava ouvindo.

Minha razão concorda com o espiritismo, já com os espíritas, nem tanto.

Parei este ano o curso de Aprendizes do Evangelho da Seara Bendita. Não via sentido em aprender o velho testamento, não acredito nele. Me sentia na aula de catecismo (embora admita que nunca assisti uma aula de catecismo). Sou da opinião que qualquer espírita que acredite na importância de defender a bíblia como fatos históricos (seja novo ou velho testamento), perdeu o foco.

O espiritismo, apesar de cristão, não é católico; e acho as tentativas de ajustar os discursos para atender expectativas de ex-católicos uma falta de bom senso bastante prejudicial. E para isto basta ver caravanas de espíritas indo visitar o túmulo do Chico Xavier e fazer pedidos. Daqui a pouco vão mandar pedido de canonização para o Papa.

Porque falo tudo isso?

Apesar de ter parado o curso, uma segunda parte dele é voltada para a reforma íntima, para o auto-aperfeiçoamento, e ontem, resolvi pegar o livro desta parte do curso e retomar a leitura.

Voltei à parte dos vícios, onde havia parado, e olhe as pérolas que encontrei:

"em geral, a tendencia para beber vem de uma perturbação da afetividade que pode ser gerada na infância. Os problemas infantis, gerados nos desequilíbrios familiares, pela falta de carinho dos pais ou por outros conflitos, são comumenteas raízes deste estado intimo propício ao alcoolismo"

"A gula também é uma manisfestação de egoísmo. A porção alimentar que poderia sustentar mais uma ou duas pessoas é totalmente digerida por apenas uma, com visível prejuízo para a coletividade" (eu entendi bem? Ele está culpando os gulosos pela fome mundial?) (...) "Teoricamente a energia alimentar contida em uma amêndoa seria suficiente para nos nutrir o dia inteiro" (e os aneréxicos vibram!! - cadê os fatos médicos que comprovam essa teoria maluca??)

Sobre sexo: "Dirigimo-nos em particilar aos jovens que, na fase de sua formação física e moral, possam estar disperdiçando as suas energias procriadoras, tão importantes no fortalecimentodo sistema cerebral e de todos os seus orgão do corpo", e aí ele manda canalizar essa energia nos estudos, esportes, artes, musica e ajuda ao próximo - Cuidado jovens! Fazer sexo pode deixá-los burros, com orgãos mal desenvolvidos e além disso vcs não poderão dedicar-se às demais atividades.

Gente, não discuto o mérito do autor, o livro foi escrito em 1984, na minha opinião ele traz idéias antigas e preconceitos até para esta época, mas, enfim, eu tinha 4 anos... O que eu entendo sobre o que se acreditava então?

Mas hoje, em 2010, por que este livro é utilizado??

Com tantas pesquisas e tantas coisas já escritas e ainda sendo escritas sobre vícios e excessos, e consequentes prejuízos à saúde física e espiritual, e sobre reforma íntima, auto-conhecimento e auto-desenvolvimento, por que utilizar um livro com idéias ultrapassadas e preconceituosas??

Amo Kardec! Ele foi um revolucionário. Deve ter precisado de muita coragem para abrir mão dos dogmas de uma sociedade católica e divulgar o espiritismo

O Espiritismo, infelizmente, está cada vez mais estagnado, cada vez mais preso à idéias antigas; marcado por traços católicos, preconceitos culturais e sociais. Está cada vez mais religião e menos doutrina, menos ciência, menos filosofia.

Abro mão da religião. Fico com a ciência, com a filosofia, seguindo uma doutrina própria, se for o caso.