sábado, 29 de janeiro de 2011

Redenção

                  


Caminho entre as ruas desertas dessa cidade que nunca dorme, onde tudo é cinzento

A solidão já se fez minha companheira costante e caminha ao meu lado a cada momento

Me lembrando que tudo passa, e que você também passará.

No escuro, a única coisa que se mantém é o tempo,

As horas se arrastam e algo em meu corpo sente fisicamente a sua falta

Estranho magnetismo que me puxa em sua direção, que faz cada pensamento meu lhe pertencer

Minha razão corre em todas as direções buscando uma saída

Libera flashes do passado, tentando me alertar do futuro que inevitavelmente virá

Buscando desesperadamente sinais que mostrem a verdade

Algum detalhe que me liberte de você

Tudo em vão...

Fico aqui...

Parada...

Presa a um sentimento que não ouso nomear por puro medo de torná-lo real.

Esperando, sem reação, o momento da minha condenação...

Me rendo a você 
 

sábado, 15 de janeiro de 2011

A Alma Imoral - Parte 1


Vi a peça. Fantástica!!
Hoje comprei o livro do rabino Nilton Bonder, e é inevitável que ele acabe virando tema de posts... então vamos lá...

Alma (transgressão) X Corpo (tradição) 

Bom, um livro que chama a alma imoral, e sim, a palavra é imoral, e não amoral, começa, é claro, defendendo exatamente essa tese... E de repente surge um outro olhar, surpreendentemente real...

Estamos acostumados a fazer a relação alma - aceitação e seguimento de regras; alma - moral... essa visão surge, é claro, da Igreja, da religiões que nos ensinam que a alma é algo externo ao corpo, e que iremos para um lugar melhor se formos bonzinhos... o que basicamente significa seguir as regras...

E de repente uma nova idéia... a moral é algo que deriva do corpo. A moral surge como forma de garantir a preservação da espécie. Foi uma adaptação ao tipo de sociedade que o homem foi criando para si... São regras que foram sendo criadas para fazer cumprir da melhor forma o mandamento dado a Adão e Eva - "crescei e reproduzi-vos"

Tá certo. Mas onde entra a imoralidade nessa história? Onde entra a transgressão?

No texto bíblico, entra no mandamento negativo de não comer do fruto proíbido.
Vamos pensar... O que uma criança faz quando você fala para ela "não sobe na cadeira"?  - Ela descobre que pode subir na cadeira. Descobre que pode transgredir...
E então está plantada no ser humano a semente da transgressão, da traição... a semente da imoralidade.

Ao comerem o fruto proibido, Adão e Eva trangridem, agem de forma imoral... e evoluem, mudam a ordem das coisas, passam a ser, de certa maneira, co-criadores. E essa necessidade de transformar não atende aos desejos do corpo, da matéria... mas da alma.

E então descobrimos que nossa imoralidade vem da alma... Que temos em nós um corpo que busca a tradição como forma de garantir sua sobrevivência, e uma alma que busca na transgressão/traição a possibilidade de evoluir... errando, sim, muitas vezes, mas se abrindo e se arriscando à possibilidade de acertar e então criar algo novo, algo melhor...  E agora?? Como equilibrar corpo e alma?

Como sabemos quando transgredir é certo ou errado?
Como sabemos quando obedecer significa desrespeitar, e quando desobedecer é o nosso mais forte ato de respeito?
Como agir quando seguir as regras é trair a você mesmo, à sua alma?
Existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade??

Levanto a discussão, para quem quiser opinar...
Obviamente não tenho as respostas e gostaria muito da opinião de vocês

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Soneto da Separação


SONETO DE SEPARAÇÃO

Vinícius de Morais



De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.