terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Soneto da Separação


SONETO DE SEPARAÇÃO

Vinícius de Morais



De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

5 comentários:

Fabiane Siqueira disse...

Triste, muito triste...

Ferino, Mas Doce!!! disse...

Também acho...

Alberto Montenegro Siqueira disse...

Discordo dos comentários.
A separação é o fim de um ciclo.
A tristeza parte integrante.
Deve-se guardar ambos a sete chaves
E se seguir adiante.

(Putz, Vinícius deve ter se revirado no túmulo!)

Pensamentos e Poesias disse...

Triste mesmo ... E como a gente sofre né? Depois do luto, quando começamos a superar e começamos a nos apresentar novamente pro mundo chegamos a duvidar daquela dor.

Tem um de Fernando Pessoa que se chama Autopsicografia e que eu adoro que é assim:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Bjos ...

disse...

Queridos,
Agradeço muito as postagens... mesmo; mas desta vez não vou comentar.
Beijão!!!